A vida com certeza não é facil para um portador do vírus HIV. Mesmo com os avanços da medicina nas últimas décadas, o tratamento atinge apenas a parte física, o emocional não há remédio que dê conta. Buscar apoio e compreensão é necessário, mas nem sempre é fácil, ainda existe muita desinformação e preconceito. Mesmo assim os portadores de AIDS não vivem em um mundo isolado, e  para trocar experiências e fortalecer laços estão surgindo as primeiras redes sociais para soropositivos.

As redes sociais e a AIDS

Imagine sair andando por aí com um cartaz escrito “eu tenho AIDS”. Ninguém faria isso, não se trata de covardia, mas sim de se sujeitar a todo tipo de reação, muitas vezes extremamente negativa. Quando se parte para o campo das redes sociais, onde estranhos se sentem protegidos pela distância e anonimato e xingam muito no twitter têm suas reações catalizadas, o resultado pode ser desastroso. Principalmente para alguém que esteja passando por um momento fragilizado física ou psicologicamente.

É natural nessas horas se aproximar de pessoas que vivam a mesma situação, e agora de uma maneira menos formal isso vem se transferindo para o campo da internet, mais precisamente das redes sociais. Cada vez mais vemos o aparecimento de redes sociais especializadas e voltadas para nichos. Já surgiram pelo menos duas redes sociais voltadas para o público portador de AIDS, o Positives Dating e o HIV Passions. Os dois funcionam de forma bem parecida, é possível criar um perfil pessoal e se relacionar com outras pessoas que estejam vivenciando uma situação semelhante. Afora esse detalhe, não diferem muito dos sites de relacionamento que existem aos montes por aí.

Considerações

Mesmo antes do surgimento das redes sociais, já existia a prática de pessoas infectadas com o vírus da AIDS de se aproximar umas das outras buscando apoio, relacionamento emocional ou romântico, ou até mesmo possibilidade de um sexo sem culpa e remorso. Esses sites de relacionamento não criam algo novo, mas apresentam um ambiente onde as pessoas possam se identificar abertamente, algo que seria muito difícil em uma rede social comum.

Entretanto, é preciso reconhecer que agindo assim fortalecem a segregação e a separação de bolhas isoladas, onde os portadores de AIDS estão marginalizando a si mesmos. É claro que poder encontrar outras pessoas que não vão te rejeitar é algo importante, mas por outro lado o que é rejeitado é a idéia de que um aidético possa ter um parceiro não-soropositivo. Além disso, esses sites focam num lado mais apelativo dos relacionamentos, os chamados “sites de namoro” onde pessoas solitárias buscam em classificados combater a sua solidão, é algo um tanto quanto deprimente em uma situação que já é bem triste. Digo isso sem ter vivido uma situação parecida, quem sabe sentindo isso na pele minha opinião fosse outra.

Por último, existe o detalhe de que estas redes sociais são pagas. Seja por cartão de crédito ou por inúmeros banners de propaganda, para seus criadores tais empreendimentos são puramente negócios. Não existe a preocupação do papel do aidético na sociedade, na família e em uma conscientização de todos, principalmente dos não-portadores. Deveria haver um planejamento de saúde pública envolvendo todos os setores da sociedade pública e privada. No dia utópico em que isso exista, essas redes sociais “exclusivas” e excludentes não serão mais necessárias.

Até que esse dia chegue, entretanto, é o único recurso que muitas pessoas acabam tendo à disposição.