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Uso de IA e Burnout: A Armadilha da Produtividade Infinita

Um novo estudo publicado pela Harvard Business Review revela um paradoxo alarmante no mercado de tecnologia: o uso de Inteligência Artificial, inicialmente adotado para facilitar rotinas, pode estar impulsionando a síndrome de burnout. Ao acompanhar uma empresa de tecnologia americana com cerca de 200 funcionários durante oito meses, pesquisadores descobriram que a eficiência trazida pela IA não resultou em mais tempo livre, mas sim em uma carga de trabalho expandida que invadiu pausas e horários de descanso.

IA e Burnout
IA e Burnout

O Paradoxo da Eficiência

A promessa da IA sempre foi clara: automatizar o tédio para liberar a criatividade. No entanto, o estudo aponta que, sem a imposição de metas agressivas ou pressão direta da liderança, os próprios colaboradores começaram a assumir mais responsabilidades. A lógica é traiçoeira: se uma tarefa que levava duas horas agora leva trinta minutos, “sobra” tempo para fazer mais três tarefas.

A Invasão Silenciosa da IA

O que o estudo documentou foi uma erosão gradual das fronteiras entre trabalho e vida pessoal.

  • Horários de almoço foram convertidos em sessões de prompt.
  • Noites e fins de semana tornaram-se extensões do expediente para lidar com o volume extra de demandas autoimpostas.
  • A sensação de esgotamento (burnout) cresceu proporcionalmente ao aumento da produtividade técnica.

Por que isso acontece?

A IA amplia o horizonte do “possível”. Antes, certas entregas eram limitadas pela capacidade humana de processamento e execução. Com LLMs e ferramentas generativas, essa barreira técnica diminui, e a barreira passa a ser a resistência física e mental do operador. O funcionário sente que deve entregar mais, simplesmente porque agora ele pode.

Este estudo serve como um alerta vital para gestores e profissionais de tecnologia. A adoção de ferramentas de IA não deve ser apenas uma questão de implementação técnica, mas também de cultura organizacional. É necessário redefinir o que é “produtividade” na era da IA, estabelecendo limites claros para evitar que a ferramenta que prometia nos libertar acabe nos exaurindo.

Fonte: Harvard Business Review