Início tecnologia

Tesla entra na briga com Nvidia pelo mercado de data centers

A Tesla registrou a marca “Megapod” — e com ela quer vender sistemas completos e modulares para data centers de inteligência artificial. O movimento coloca a empresa de Elon Musk em rota de colisão direta com a Nvidia, que domina o mercado de infraestrutura para IA com suas plataformas DGX.

Tesla
Imagem: logo da Tesla sobre fundo vermelho

O pedido de registro foi feito no escritório de patentes dos Estados Unidos (USPTO) como um “intent-to-use” — ou seja, a Tesla reservou o nome para um produto que ainda não lançou. As informações são do site Electrek, que teve acesso ao documento.

O que é o Megapod

Pela descrição do registro, o Megapod não é um chip nem uma bateria, é um sistema completo e autônomo. O pacote inclui servidores, hardware para processamento de dados de IA, equipamentos de rede, unidades de distribuição de energia, sistemas de resfriamento e software de monitoramento e gerenciamento. Tudo integrado em um único enclosure vendido como uma plataforma pronta para uso.

Na prática, a Tesla quer vender o “prédio inteiro” do data center em formato modular, o rack, a rede, a energia e o resfriamento que os chips de IA precisam para funcionar. É o mesmo modelo que a Nvidia já oferece com o GB200 NVL72, um sistema líquido-refrigerado que empacota 72 GPUs Blackwell e 36 CPUs Grace em um único chassi.

O histórico de hardware de IA da Tesla

A jogada acontece menos de um ano depois que a Tesla matou o Dojo, seu supercomputador interno de treinamento de IA. Elon Musk chamou o Dojo 2 de “um beco sem saída evolucionário” após a debandada da equipe. Desde então, a empresa tenta se reposicionar: anunciou o chip AI5 (quase dois anos atrasado), o AI6 (empurrado para o final de 2027 por problemas na linha de 2nm da Samsung) e até um plano de “computação de IA baseada no espaço”.

O próprio cluster de treinamento da Tesla, o Cortex na Gigafactory Texas, roda em cerca de 67 mil GPUs equivalentes à H100 da Nvidia. Ou seja: a Tesla é cliente da Nvidia, não concorrente, pelo menos por enquanto.

Onde a Tesla realmente pode competir

O ponto forte da Tesla nessa história não é o silício, são as baterias. A empresa já vende Megapacks e Megablocks para data centers como buffers de rede elétrica. A própria xAI, de Musk, comprou cerca de US$ 1 bilhão em Megapacks para manter seus treinamentos rodando.

Um Megapod que empacote a eletrônica de potência, o gerenciamento térmico e o enclosure da Tesla, a “casca” em volta dos chips, faria sentido como extensão de um negócio que a empresa já domina. O problema é que, sem um chip competitivo, o Megapod depende de hardware de terceiros para entregar o processamento que promete.

O nome também não é exatamente original. A Submer, especialista em resfriamento por imersão, já vende um produto chamado MegaPod, um data center pré-fabricado de 12 metros com capacidade de até 800 kW. O registro da Tesla está em uma classe diferente, mas a coincidência não passa despercebida.

Por enquanto, o Megapod é só um nome em um banco de dados de patentes. A pergunta que fica é se a Tesla vai conseguir transformar o registro em um produto real antes do próximo chip atrasar de novo.

Fonte: Electrek