A Uber Technologies limitou cada funcionário a US$ 1.500 por mês em tokens para cada ferramenta de codificação agêntica. A regra vale separadamente para o Claude Code da Anthropic e o Cursor: um engenheiro que usa os dois mantém US$ 1.500 disponíveis em cada um, sem que o gasto de uma ferramenta consuma o orçamento da outra. A medida foi confirmada pela empresa à Bloomberg depois que a companhia esgotou todo o orçamento anual de IA em quatro meses.

Cada colaborador tem acesso a um painel interno que mostra o próprio consumo em tempo real. Exceções ao teto existem, mas exigem aprovação interna. A restrição foi aplicada nos últimos meses e vale apenas para softwares de codificação agêntica, não para o restante das ferramentas de IA usadas pela empresa.
Orçamento anual esgotado em quatro meses
O estouro foi confirmado pelo CTO da Uber, Praveen Neppalli Naga, em abril, em entrevista à The Information. Na ocasião, ele afirmou estar “de volta à estaca zero” nos modelos financeiros de IA. O gasto previsto para 2026 acabou em quatro meses, depois que a empresa incentivou o uso massivo de ferramentas e chegou a criar rankings internos de consumo entre as equipes, transformando gasto em sinal de produtividade.
Os números explicam o rombo. A Uber introduziu o Claude Code entre seus aproximadamente 5.000 engenheiros em dezembro de 2025. Em fevereiro, 32% já usavam ferramentas de codificação agêntica. Em março, o índice saltou para 84% e, na primavera, 95% usavam IA todos os meses, segundo a Forbes. Cerca de 70% do código commitado passou a originar dessas ferramentas.
O custo médio por desenvolvedor variava de US$ 150 a US$ 250 mensais. Usuários intensivos geravam contas entre US$ 500 e US$ 2.000. Um executivo chegou a acumular US$ 1.200 em uma única sessão de codificação de duas horas, segundo reportagem do Yahoo Finance. Em 2025, o gasto total de pesquisa e desenvolvimento da Uber foi de US$ 3,4 bilhões, alta de 9% sobre o ano anterior.
O CEO Dara Khosrowshahi reconheceu o problema em entrevista ao investidor Patrick O’Shaughnessy. “Estouramos nosso orçamento de IA em um trimestre, essencialmente o do ano inteiro”, disse. Em maio, ele afirmou que cerca de 10% do código submetido pela empresa já é produzido por agentes de IA, e que 11% do código de backend em produção também vem de IA.
Dúvidas sobre o retorno do investimento
Apesar da adoção acelerada, o COO Andrew Macdonald reconheceu publicamente a dificuldade de medir o ganho real. Em entrevista ao podcast Rapid Response, relatada pela Fortune, ele disse que ainda é complicado estabelecer ligação direta entre o uso interno de IA e a entrega de novas funcionalidades para os clientes. “Esse link ainda não está lá”, afirmou.
A incerteza sobre o retorno marca uma virada na fase de experimentação. Um estudo da Bain publicado em junho indicou que as ferramentas de IA estão entregando menos redução de custos do que as empresas previam quando aprovaram os orçamentos. A pressão recai sobre compradores corporativos, que passam a exigir modelos de precificação mais previsíveis em vez de cobrança por consumo.
Tendência de contenção se espalha
A Uber não está sozinha. A Microsoft pediu aos funcionários que parassem de usar o Claude Code e migrassem para o GitHub Copilot CLI até 30 de junho, último dia do ano fiscal da empresa, conforme reportou o The Verge. A Tesla impôs teto de US$ 200 por semana por funcionário a partir de 6 de julho, com isenção para ferramentas do xAI, segundo o Electrek. O Walmart também limitou o uso de um agente de IA interno, segundo a Bloomberg, e Meta e Amazon adotaram tetos semelhantes.
À Bloomberg, a Uber afirmou que a restrição é uma maneira direta de incentivar de forma responsável a adoção de IA agêntica em escala na empresa. Funcionários podem solicitar autorização para exceder o teto mensal, mas a aprovação não é automática e depende de justificativa técnica. O processo foi desenhado para que a restrição não comprometa entregas estratégicas.
O teto de US$ 1.500 tende a virar referência em negociações de procurement e pode influenciar como fornecedores como Anthropic e Cursor ajustam seus modelos de cobrança. A Anthropic já anunciou que assinantes pagantes do Claude terão um medidor separado de créditos para ferramentas de agente a partir de 15 de junho, cobrado a taxas de API integral.
A Uber também afirmou que vai moderar o ritmo de contratações ao longo de 2026, em parte como resultado dos benefícios do uso interno de IA. O gasto com inteligência artificial passou a ser tratado como item orçamentário real, sujeito a metas, limites e prestação de contas como qualquer outro investimento estratégico.
Fontes: Bloomberg, The Information, Forbes, Fortune, Yahoo Finance, The Verge, Electrek




