O SupoClip é um clipper de vídeo open source que transforma gravações longas, como podcasts, VODs de lives e arquivos próprios, em cortes verticais prontos para Shorts, Reels e TikTok. Transmissão ao vivo em andamento não entra: o README avisa que live streams não são suportados e que a ferramenta processa apenas material já encerrado. Em 27 de outubro de 2026 o repositório somava 2.063 estrelas no GitHub, 473 forks e commits no mesmo dia, pouco mais de um ano depois de ser criado. O pacote entrega legenda sincronizada palavra por palavra, enquadramento que acompanha o rosto do falante e nota de viralidade, com a opção de processar tudo na própria máquina. A licença é AGPL-3.0. O README abre com uma provocação ao OpusClip, mas não houve engenharia reversa: o SupoClip é um projeto independente, escrito do zero com stack própria, que resolve o mesmo problema que as ferramentas de IA que fazem cortes automáticos em vídeos já atacavam.

O que é o SupoClip
O SupoClip recebe um vídeo longo, seja por link do YouTube, VOD da Twitch ou da Kick, ou arquivo enviado do computador, e devolve cortes verticais. O README promete de três a sete trechos por vídeo, mas o backend faz mais do que isso quando a gravação é longa: acima de 15 minutos de transcrição, o material é fatiado em janelas de 12 minutos com 2 minutos de sobreposição, e três janelas são analisadas ao mesmo tempo. O alvo é de cerca de um corte a cada cinco minutos de vídeo, com piso de cinco e teto de dez cortes por padrão, definido pela variável MAX_CLIPS. Cada corte sai com legenda animada, título de gancho gerado por IA e uma nota de 0 a 100 dividida em quatro critérios: gancho, engajamento, valor e potencial de compartilhamento.
A referência inevitável é o OpusClip, que criou a categoria e continua sendo o nome mais conhecido dela. A página de preços do OpusClip, consultada em 27 de outubro de 2026, lista plano gratuito, Starter a US$ 15 por mês e Pro a US$ 29 por mês. A exportação sem marca d’água aparece como recurso de plano pago na mesma tabela. O SupoClip ataca justamente esse ponto: o site oficial afirma que o programa não adiciona marca d’água nem nos planos hospedados nem na instalação própria. E a oferta paga do próprio SupoClip fica abaixo da concorrente: o plano Pro custa US$ 9,99 por mês, com 600 minutos de vídeo-fonte, arquivos de até 90 minutos e saída em 720p, enquanto o Creator custa US$ 24,99 por mês, com 1.500 minutos, vídeos de até três horas e saída em 1080p.
A tração é real, mas modesta para o tamanho do barulho em volta. São 2.063 estrelas e 473 forks em 27 de outubro de 2026, com 516 commits desde a criação do repositório, em 28 de julho de 2025. Oito pessoas assinam código, sendo 494 commits do autor principal, o desenvolvedor conhecido como FujiwaraChoki, que aparece em parte dos commits como Sami Hindi e também mantém o MoneyPrinterV2, projeto de automação de vídeos com 32.217 estrelas. Não há nenhuma release ou tag publicada: quem instala puxa a branch principal. Além do código, existe uma versão hospedada com planos pagos e um aplicativo para iPhone. O arquivo de contribuição exige que quem envia código conceda ao mantenedor o direito de sublicenciar e relicenciar esse trecho comercialmente, o que explica como o projeto sustenta uma oferta paga sobre uma base AGPL-3.0.
Tecnologia e enquadramento automático
O pipeline tem quatro etapas. A transcrição entrega marcações por palavra, o que permite sincronizar a legenda animada com precisão. Um modelo de linguagem escolhe os trechos, e o mesmo modelo escreve a nota de viralidade e o título de abertura. O enquadramento vertical é decidido localmente: o sistema analisa quadros de 480 pixels de largura a três quadros por segundo com o detector de rostos YuNet e um analisador de cena em OpenCV, sem baixar outro modelo, sem GPU e sem inferência paga. Quando o rosto é pequeno demais, quando há várias pessoas fora da área de corte ou quando a cena tem texto nas laterais, o programa prefere enquadrar o quadro inteiro sobre um fundo desfocado em vez de cortar o assunto.
A stack é declarada no repositório: FastAPI no backend, worker ARQ para as tarefas pesadas, PostgreSQL 15 para os dados, Redis 7 para a fila e o progresso em tempo real, e Next.js na interface. O docker compose sobe serviços separados para interface, API, worker, banco, fila e servidor MCP, e publica todas as portas apenas em 127.0.0.1, de modo que a instalação nova não fica exposta na rede.
O ponto que o vídeo que divulgou o projeto destaca é a operação sem nuvem. Ela existe, mas não é o padrão. A transcrição padrão usa AssemblyAI, serviço pago que exige chave, e a seleção de cortes pede um modelo de linguagem com chave de API, seja Gemini, GPT, Claude ou OpenRouter. Para rodar inteiramente local é preciso trocar duas variáveis: uma aponta a transcrição para o Whisper na própria máquina, a outra aponta a seleção para um modelo do Ollama. O arquivo de exemplo do repositório já vem com o modo CPU ligado, que evita o download das bibliotecas da NVIDIA e encurta a primeira instalação. Isso é economia de instalação, não limite do programa: com a variável desligada o backend usa GPU por CUDA, e quem roda fora do Docker pode instalar a variante de CPU ou a de CUDA. Em Mac com Apple Silicon a aceleração de GPU continua indisponível, porque as imagens rodam em emulação amd64.
Recursos já existentes
Além do corte automático, o repositório traz um editor embutido e recursos que costumam ficar atrás de assinatura em ferramentas do gênero.
- Importação de YouTube, Twitch, Kick e arquivos próprios
- Nota de viralidade com quatro critérios por corte
- Legendas sincronizadas por palavra, com modelos de animação e fontes próprias
- Enquadramento vertical que segue o rosto do falante
- B-roll opcional com imagens de banco via API do Pexels
- Editor para cortar, dividir e juntar trechos, com presets de exportação para Shorts, TikTok e Reels
- Publicação direta e agendada no YouTube Shorts, com TikTok e Instagram já implementados no código
O ciclo de feedback é o recurso menos visível do pacote. Depois que o criador publica pelo menos três vídeos pela própria ferramenta, o worker passa a puxar as métricas de cada post nas plataformas em intervalos regulares, a cada seis horas por padrão, considerando publicações de até 60 dias. O desempenho medido, separado por tipo de gancho e por duração, é injetado no prompt do modelo de linguagem como histórico do criador, com a instrução de usar esses dados para desempatar candidatos e puxar os próximos cortes na direção do que já funcionou. Os três parâmetros são ajustáveis: número mínimo de posts, intervalo de coleta e idade máxima das publicações.
O repositório também traz um servidor MCP próprio, o supoclip-mcp, escrito sobre o FastMCP, o kit do protocolo mantido pelo projeto. Ele é leve e funciona como cliente da API REST: por padrão fala por stdio, o modo usado por clientes locais como Claude Desktop, Claude Code e Cursor, e aponta para a API hospedada em api.supoclip.com. Basta definir a variável de endereço para mirar uma instância própria, como http://localhost:8000, e o mesmo binário passa a operar contra o backend de casa. Há ainda os transportes HTTP e SSE, para quem precisa expor o servidor pela rede.
O que está por vir
O site oficial marca TikTok e Instagram Reels como “em breve” na publicação automática. O código, porém, já está no repositório: a pasta de integrações sociais traz implementações para YouTube, TikTok e Instagram, com fluxo de autorização OAuth e a opção de publicar pela própria ferramenta.
O que falta não é software, e sim a liberação das plataformas, e o guia de configuração do projeto descreve o mecanismo. Apps não auditados do TikTok só publicam com visibilidade privada e para poucos perfis por dia, e a publicação aberta depende da auditoria do TikTok. No Instagram, a conta precisa ser profissional, e a Meta exige revisão do app antes que contas fora do grupo de testadores possam conectar. Quem faz a instalação própria pode criar o próprio app nas duas plataformas e configurar as credenciais, o que permite usar o recurso em modo de teste. Para o público geral, a publicação segue restrita ao YouTube Shorts: imediata no plano Pro e com agendamento no plano Creator.
Principais dúvidas sobre o projeto
O SupoClip é engenharia reversa do OpusClip?
Não. O README diz que o OpusClip é genuinamente bom no que faz e lista o que ele acerta antes de criticar o modelo de cobrança. O único gesto agressivo é o título “Fuck OpusClip” no topo da página. Não há menção a decompilação, engenharia reversa ou observação de comportamento em nenhum arquivo do repositório, nos 516 commits ou na documentação. A arquitetura também é distinta: o SupoClip roda sobre FastAPI, worker ARQ, PostgreSQL, Redis e Next.js, com transcrição por AssemblyAI ou Whisper e seleção por modelo de linguagem.
Preciso pagar alguma API para usar?
Só se você mantiver o caminho padrão. A transcrição sai por AssemblyAI e a seleção de cortes por um modelo de nuvem, ambos com custo por uso. A alternativa local dispensa chave: Whisper para transcrever e Ollama para escolher os trechos. O B-roll é opcional e usa a API do Pexels. A própria instalação, no modo self-host, não cobra nada.
Roda sem placa de vídeo?
Roda. O arquivo de exemplo liga o modo CPU por padrão, que instala o PyTorch sem as bibliotecas da NVIDIA e acelera a primeira instalação. Com essa opção desligada, o backend usa GPU por CUDA, e quem instala fora do Docker escolhe entre a variante de CPU e a de CUDA. O guia avisa que a transcrição com Whisper em CPU é mais lenta que a API e que vídeos longos demoram mais em máquinas modestas.
Tem marca d’água ou limite de uso?
Não. O FAQ oficial responde as duas perguntas: o programa não adiciona marca d’água, nem nos planos pagos nem na instalação própria, e o modo self-host, que vem ligado por padrão, desliga a cobrança e os limites de geração por conta. O custo que sobra é o do hardware e o dos provedores de IA que você escolher.
A instalação é simples?
Aqui está a parte frágil da promessa. O caminho oficial é Docker Compose, mas a pilha tem vários serviços, e a documentação manda trocar três segredos antes de subir. Em Mac com Apple Silicon, as imagens do backend e do worker rodam em emulação amd64, sem aceleração de GPU, e há relato de tempo limite na etapa de verificação do YouTube nesse ambiente.
O SupoClip está disponível para instalação via Docker Compose e como serviço hospedado, com planos Pro e Creator. O código fica no GitHub sob a licença AGPL-3.0, sem release publicada até 27 de outubro de 2026.
Repositório oficial: github.com/FujiwaraChoki/supoclip. Site oficial: supoclip.com. Guia de instalação própria: self-host com Docker Compose. Guia de configuração: docs/configuration.md.
Fonte: repositório do SupoClip no GitHub e página de preços do OpusClip.




