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Anthropic negocia com Samsung chip de IA personalizado em 2nm

A Anthropic, criadora do modelo de inteligência artificial Claude, está em negociações iniciais com a Samsung Electronics para fabricar um chip de IA personalizado. A informação, publicada originalmente pelo The Information na quinta-feira (2), foi confirmada por fontes próximas à empresa e repercutida por veículos como TechCrunch, Bloomberg e Korea Herald. O projeto ainda está em fase exploratória, mas já sinaliza um movimento estratégico importante na corrida por infraestrutura própria de hardware.

chip de IA personalizado Anthropic Samsung
Imagem gerada por IA com Magnific

O que está sendo negociado

Segundo o The Information, a Anthropic está considerando utilizar o processo de fabricação de 2 nanômetros (SF2P) da Samsung e suas instalações de empacotamento avançado para produzir um chip personalizado. A tecnologia de 2nm da Samsung usa transistores Gate-All-Around (GAA), uma evolução dos transistores FinFET que dominaram a última década. Os transistores GAA permitem que a porta envolva completamente o canal de silício pelos quatro lados, oferecendo 15% mais desempenho com o mesmo consumo de energia ou uma redução significativa no gasto energético.

A Samsung entrou em produção em volume do processo SF2 no final de 2025, e a variante SF2P, otimizada para desempenho, está se aproximando de 70% de rendimento. A empresa também está construindo uma fábrica dedicada em Taylor, no Texas, para produção de chips em 2nm, com início de operação comercial previsto para 2027.

No entanto, a Anthropic ainda não definiu qual será a finalidade do chip, se será voltado para treinamento ou inferência, nem qual será sua potência ou como será integrado aos servidores. A empresa pode inclusive abandonar o projeto, segundo fontes ouvidas pelo The Information.

O contexto da corrida por chips próprios

A movimentação da Anthropic não acontece no vácuo. Há uma semana, a OpenAI anunciou seu próprio chip de inferência personalizado, o “Jalapeño”, desenvolvido em parceria com a Broadcom e fabricado pela TSMC. O chip é projetado para inferência, a etapa em que o modelo já treinado responde às requisições dos usuários, e promete melhor eficiência energética que os GPUs tradicionais.

Amazon e Google já operam chips próprios há anos. A Amazon desenvolveu as famílias Trainium e Inferentia para o AWS, enquanto o Google oferece suas TPUs (Tensor Processing Units) como parte de sua infraestrutura em nuvem. A Microsoft também entrou na corrida com o acelerador Maia para o Azure, e a Meta continua expandindo seus chips MTIA para sistemas de recomendação e IA generativa.

O movimento em direção ao silício próprio é impulsionado por uma equação simples: treinar modelos de IA exige poder computacional imenso, mas servir milhões de requisições de usuários depois do lançamento é ainda mais caro. Cada consulta ao chatbot ou resposta gerada por IA consome recursos de processamento adicionais. Com uma receita anualizada que ultrapassou US$ 30 bilhões neste ano, mais que triplicando os US$ 9 bilhões do final de 2025, a Anthropic tem agora escala financeira para considerar o desenvolvimento de chips próprios.

Por que a Samsung é a parceira natural

A Samsung ocupa uma posição única entre os potenciais parceiros da Anthropic. Das três fabricantes de memória que participaram da rodada de financiamento Série H de US$ 65 bilhões em maio — Samsung, SK Hynix e Micron — a Samsung é a única que também opera um negócio de fundição (foundry), capaz de fabricar chips lógicos personalizados.

Além disso, a Samsung já é uma peça central na cadeia de suprimentos de chips de IA. A empresa produz chips para a Nvidia, utilizando o software da própria Nvidia no processo de fabricação, e as duas companhias estão construindo juntas uma fábrica de chips de IA na Coreia do Sul. A Samsung também discute com o Google a fabricação de sua próxima geração de chips Tensor.

Outro fator relevante é a contratação de Clive Chan, engenheiro que ajudou a construir o programa de chips personalizados da OpenAI, para a equipe de hardware da Anthropic em junho. A chegada de Chan sinaliza que a empresa está passando da exploração para o desenvolvimento ativo.

O que esperar

As negociações ainda são preliminares. Nenhum design foi finalizado, nenhum protótipo foi construído e não existe cronograma de fabricação. A Anthropic afirmou ao TechCrunch que sua estratégia de hardware diversificada, que inclui chips do Google, Amazon e Nvidia, continuará sendo central para sua operação, e não comentou as conversas com a Samsung.

O próximo sinal a observar é um contrato formal de fabricação com a Samsung. Esse é o momento em que a exploração estratégica se transforma em compromisso financeiro. Se a Samsung conseguir converter essas conversas em contratos de produção, seria um marco tanto para a Anthropic, que ganharia controle sobre o hardware que executa seus modelos, quanto para a Samsung, que conquistaria um cliente de peso em um momento crítico para sua divisão de fundição.

Fontes: The Information — Qianer Liu, TechCrunch — Lucas Ropek, TNW — Ana Maria Constantin, The Korea Herald — Jo He-rim, Bloomberg