A Brisanet anunciou em 23 de outubro de 2026 um acordo com a AST SpaceMobile para oferecer celular via satélite aos assinantes de planos móveis. O contrato foi assinado em conjunto com a Unifique e a Iez! Telecom. A ideia é cobrir áreas sem sinal terrestre com voz, dados e streaming em aparelhos comuns, sem antena externa. Como o Tambotech já mostrou, a internet via satélite no Brasil vai além da Starlink.

Segundo a Brisanet, a conexão deve funcionar em “smartphones padrão e sem modificações”, sem equipamentos especializados, atualizações de software ou aplicativos. A infraestrutura que liga as redes das três operadoras à constelação de satélites fica a cargo das próprias prestadoras.
O que o acordo prevê
O acordo é uma parceria comercial para usar a rede da AST, não uma compra de satélites. Os contratos ainda não estão finalizados e, segundo a empresa, a transação está sujeita a certas condições. O anúncio também não detalha quanto cada operadora vai investir nem como os custos serão divididos.
A AST opera satélites de baixa órbita que funcionam como torres de celular no espaço. O aparelho se conecta direto ao satélite, sem antena parabólica nem equipamento extra. É um modelo diferente do serviço residencial da Starlink, que depende de uma antena instalada no imóvel.
De onde vêm os 700 MHz
As três regionais vão usar a faixa de 700 MHz que arremataram no leilão de 4 de maio de 2026. Os lotes têm 10 MHz de ida e 10 MHz de volta. A Brisanet ficou com o Nordeste e o Centro-Oeste, a Unifique com o Sul e a Iez! com Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O Consórcio Amazônia 5G levou o lote do Norte e de São Paulo, o que explica a ausência dessas áreas nas licenças de teste noticiadas.
O espectro será usado pela AST em caráter secundário. A expressão descreve prioridade radioelétrica: a rede satelital não tem proteção contra interferência e precisa interromper a transmissão se prejudicar sistemas prioritários. Não há transferência da outorga, que continua com as operadoras.
Testes em novembro, rede incompleta e preço indefinido
As licenças obtidas na Anatel autorizam testes a partir de novembro, com dois anos de duração, dentro da área de atuação de cada operadora. O enquadramento é o sandbox de D2D e D2C (direct-to-device e direct-to-cell), piloto que a agência abriu em abril de 2024 e prorrogou até abril de 2029 pelo Ato 10.902, publicado no Diário Oficial em 25 de agosto de 2026. As autorizações das três regionais ainda precisam sair no DOU.
A rede da AST ainda é pequena. A empresa tem 13 satélites lançados e planeja chegar a 243 até 2028, segundo o Tecnoblog. Um comunicado da companhia de 20 de outubro projeta cobertura inicial intermitente antes do fim de 2026 nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido e Arábia Saudita. Não há previsão de quando o Brasil entra nessa lista.
A Brisanet não informou preço, cobrança adicional, data de disponibilidade comercial, cobertura efetiva, velocidade, latência ou quais aparelhos e planos serão elegíveis. A concorrência já se move. A Vivo teve a autorização de D2D prorrogada até abril de 2029 pelo Ato 11.334, publicado no Diário Oficial em 16 de setembro de 2026. A TIM assinou um memorando não vinculante com a AST em fevereiro de 2023.
Para as três regionais, o acordo é a primeira ação conjunta de peso. Segundo o Tecnoblog, é a primeira vez que Brisanet, Unifique e Iez! atuam juntas, movimento que pode ajudá-las a competir com Vivo, Claro e TIM, que têm cobertura nacional.
Fonte: Tecnoblog




