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Google anuncia Gemini 4 Argon para segurança de sistemas

O Google anunciou no dia 30 de setembro o Gemini 4 Argon, seu novo modelo de inteligência artificial de ponta, treinado para encontrar, validar e corrigir falhas de segurança em softwares sem intervenção humana. O acesso, porém, começa fechado: nesta primeira fase, só um subconjunto de parceiros do Programa Fairwind, a iniciativa de defesa cibernética do Google DeepMind, pode usar o modelo. A empresa não informou data para a liberação ao público geral.

Peça de divulgação com o nome Gemini 4 Argon e o numeral 4 em branco sobre fundo azul
Arte de divulgação do Gemini 4 Argon. Imagem: Divulgação

Como o modelo acha e corrige vulnerabilidades sozinho

Segundo o Google, o Argon percorre bases de código complexas, descobre falhas críticas, monta a prova de conceito que confirma o risco e escreve a correção. Em uma das primeiras demonstrações divulgadas, o modelo achou uma vulnerabilidade que expunha dados pessoais sensíveis em softwares de saúde usados por hospitais de vários países. Modelos de ponta anteriores não tinham detectado esse problema, afirma a empresa. O trabalho foi feito pela Wiz, companhia de segurança que participa do programa Scan for Good.

Para os parceiros do Fairwind e para as equipes internas do Google, o Argon é liberado sem as travas de segurança cibernética, as recusas que impedem pedidos de ataque nos modelos abertos ao público. O Google diz que a medida é necessária para aproveitar toda a capacidade defensiva do modelo. No CWE-bench v1, teste que mede a correção de vulnerabilidades, o Argon marca 68% e empata na liderança. Em descoberta de falhas em sistemas reais, os números divulgados pelo Google mostram 85,8%, contra 71% do Gemini 3.8 Flash Cyber, a versão anterior voltada a segurança.

A diferença de capacidade aparece também no tamanho da resposta. O Argon gera até 1 milhão de tokens por execução, contra 64 mil dos modelos anteriores, o que permite manter raciocínios longos e mudanças extensas de código em uma única tarefa. O Artificial Analysis, que avalia modelos de forma independente, registra um limite menor em uma única requisição, de cerca de 262 mil tokens, e atribui o 1 milhão a um recurso da API que pausa e retoma respostas longas.

Quem pode usar agora e quando o modelo chega ao público

Hoje o acesso é de um subconjunto dos mais de 650 parceiros do Fairwind. O programa, lançado em 2 de setembro de 2026, exige autenticação multifator resistente a phishing, limita o uso às equipes de segurança, resposta a incidentes e testes de invasão de cada parceiro e obriga a organização a registrar quem usou o modelo. A lista de participantes não é pública, e o Google não informou se alguma empresa brasileira está na relação.

A ampliação começa por clientes pagos da API e por assinantes do Google AI Ultra, sem data definida. A empresa também participa do processo voluntário do governo dos Estados Unidos que dá acesso a modelos antes do lançamento comercial. O preço de estreia é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída, com 95% de desconto nos tokens de entrada guardados em cache. Depois do período promocional, os valores sobem para US$ 4 e US$ 20. Nada disso tem data para chegar ao Brasil, e o Google não divulgou o identificador do modelo na API nem a janela de contexto de entrada.

O lançamento coloca o Google na disputa direta com OpenAI e Anthropic. Nos testes divulgados pela própria empresa, o Argon aparece à frente em programação, com 77,9% no DeepSWE v1.1, e lidera também em cibersegurança. Na medição independente do Artificial Analysis, o modelo empata com o GPT-6 Astra e fica atrás do Claude Opus 5.5. Em setembro, o blog noticiou o lançamento do GPT-6 Astra, que também apostou em agentes e cibersegurança.

Quem não está no Fairwind continua sem previsão de acesso. O Google afirma que vai ampliar a disponibilidade depois de ajustar as salvaguardas contra uso indevido, injeção de instruções e desalinhamento, e que não há data para o Gemini 4 Argon chegar a desenvolvedores, empresas e consumidores.

Fonte: Google