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Google inicia atualização de spam de setembro: o que revisar

O Google iniciou nesta quinta-feira (24) a quarta atualização de spam de 2026. O anúncio saiu às 13h15 no horário de Brasília (09h15 PDT) no Search Status Dashboard, o painel oficial de status da busca, e vale para todos os países e idiomas. A liberação é gradual e, segundo o próprio Google, pode levar até duas semanas, o que, se o prazo se confirmar, estende o processo até 8 de outubro.

Robô azul com detalhes vermelhos pescando em um píer sobre um lago, com sol amarelo refletindo na água
Imagem gerada usando o Magnific

Uma atualização de spam não é sinônimo de política nova. Normalmente é uma melhoria significativa nos sistemas automáticos que aplicam as políticas que já existem, e é isso que o anúncio de setembro descreve: a rodada melhora os sistemas automáticos de detecção de spam, que operam continuamente na Pesquisa. O Google não informou quais práticas são o foco desta vez. Entre esses sistemas está o SpamBrain, o sistema antispam baseado em inteligência artificial que identifica padrões, páginas, links e comportamentos associados a spam e abuso. Mudanças nas próprias políticas são anunciadas separadamente, quando ocorrem.

A diferença desta rodada está no prazo. As três anteriores do ano terminaram rápido: a de março em cerca de 19 horas e meia, a de junho em dois dias e a de agosto em dois dias e dezesseis horas. A de setembro veio com a mesma janela de até 14 dias usada nos core updates de março e maio, que mexem no conjunto amplo de critérios de qualidade da busca. O Google também não disse que fatia das buscas foi afetada. O funcionamento do mecanismo foi detalhado na cobertura da terceira atualização de spam do ano, em agosto.

O que o Google diz sobre conteúdo feito com IA

O anúncio de setembro não indica conteúdo produzido com inteligência artificial como alvo, e não há confirmação oficial de que esta rodada tenha esse foco. Também não existe, na documentação, proibição de conteúdo feito com IA. A política de abuso de conteúdo em escala define a violação pela combinação de fatores: muitas páginas, propósito principal de manipular rankings e pouco ou nenhum valor para quem lê. O texto afirma que a prática vale “não importa como” o conteúdo foi criado e cita, entre os exemplos, o uso de ferramentas de IA generativa para produzir muitas páginas sem valor. As regras completas estão nas políticas de spam do Google Search.

Vale separar três coisas que costumam aparecer misturadas em análises sobre o tema. Em maio, o Google esclareceu na documentação que suas políticas de spam também se aplicam às respostas de IA generativa da Pesquisa, o que inclui AI Overviews e AI Mode: foi uma clarificação, e a menção explícita às tentativas de manipular respostas de IA entrou na redação das políticas, sem anúncio de proibição nova. Em julho, o Google adicionou às diretrizes de snippets de avaliação uma regra sobre avaliações falsas ou incentivadas sem divulgação, mudança em diretriz de dados estruturados, não uma nova política de spam. Nenhuma das duas foi anunciada como parte de uma atualização de spam.

Para quem publica, a consequência prática é direta: o problema não está em usar IA, e sim em produzir conteúdo em escala principalmente para manipular rankings e sem agregar valor.

O que donos de sites, blogs e portais precisam revisar

Como os sistemas antispam aplicam políticas que já valem para toda a Pesquisa, a revisão tem menos a ver com a novidade da semana e mais com o que costuma aparecer em auditoria de portal de notícias, blog e site institucional:

  • Conteúdo em escala: séries de páginas quase idênticas, variações da mesma busca e textos publicados só para capturar palavra-chave.
  • Conteúdo de terceiros no seu domínio: parceiros, material white-label e publieditorial que existem ali apenas para pegar carona na autoridade do site. É o abuso de reputação de site, e o que define a violação não é a origem externa do conteúdo, e sim o motivo da publicação.
  • Links pagos: a orientação atual do Google é marcar preferencialmente com rel=”sponsored”, e o nofollow continua sendo aceito.
  • Back button hijacking: quando o site impede o visitante de voltar à página anterior, prática que virou violação explícita e tem fiscalização desde 15 de junho.

Um detalhe de geografia importa para quem opera portal. Desde 30 de agosto, as ações manuais da política de reputação de site não afetam os resultados exibidos a usuários no Espaço Econômico Europeu (EEE), formado pelos 27 países da União Europeia mais Islândia, Noruega e Liechtenstein. Nessa região, a seção afetada pode ser separada dentro dos sistemas do Google e passar a ser avaliada por mérito próprio. Fora do EEE, inclusive no Brasil, a ação manual continua valendo para a parte do site que publicou o conteúdo.

Os prazos e o que dá para medir agora

Não existe orientação oficial de “não mexer no site” específica para atualizações de spam. O que a documentação do Google sustenta é cautela e comparação de dados depois do fim da liberação, orientação que aparece na página sobre core updates. Na prática, isso significa evitar alterações reativas com base apenas nas oscilações dos primeiros dias e medir o impacto antes de mudanças amplas.

O começo de setembro ilustra o risco de reagir rápido. Analistas e veículos especializados relataram quedas em grandes sites por volta de 4 de setembro e recuperação em parte deles no dia 13, movimento que o Google não confirmou, nem na queda nem na volta. Quem reescreveu conteúdo ou mexeu em links na primeira semana pode ter trabalhado para um problema que se desfez sozinho.

Durante a liberação, o trabalho útil é de medição: acompanhar o Search Console, anotar as datas de 24 de setembro e de 8 de outubro e conferir se há ação manual ou problema de segurança registrado. Depois do fim do rollout, a comparação por tipo de página ajuda a mostrar se a queda se concentrou num template, numa seção de parceiro ou numa categoria. Nos dois casos de correção, os caminhos são diferentes: nos sistemas automáticos, o Google afirma que pode levar meses até que o reconhecimento de uma correção apareça nos resultados; nas ações manuais, o site precisa resolver o problema e enviar um pedido de reconsideração pelo Search Console.

O calendário de 2026 ajuda a dar contexto, mas não serve de previsão. O ano teve atualização do Discover em fevereiro, core updates em março e maio e agora a quarta edição de spam. O Google não publica calendário nesse assunto: anuncia uma atualização de spam quando faz melhorias relevantes nos sistemas antispam, e projetar a próxima data apenas pelo ritmo deste ano continua sendo especulação.

Para quem administra site, blog ou portal de notícias, a rodada de setembro não pede mudança de última hora e sim revisão de rotina: saber quanto do que está publicado existe para servir o leitor e quanto existe apenas para capturar busca, o que o domínio hospeda por conta de terceiros e como os links pagos estão marcados. Nas duas semanas de liberação, medir antes de agir é a decisão que custa menos.

Fonte: Google Search Status Dashboard | Search Engine Roundtable | Search Engine Journal | PPC Land | Google Search Central Blog