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Meetily: transcrição de reunião roda local e é open source

O Meetily é um assistente de reuniões que transcreve o áudio no próprio computador e resume a conversa sem enviar a gravação para a nuvem. O projeto soma 31.581 estrelas no GitHub em contagem feita em 10 de outubro de 2026, com 3.454 forks e 18 contribuidores. O diferencial em relação a Otter.ai, Fireflies.ai e Granola está em onde o trabalho acontece: a transcrição roda na máquina do usuário, com os modelos Whisper ou Parakeet, e nenhum bot entra na chamada para gravar. A licença é MIT, e o código está público desde dezembro de 2024.

Ilustração cômica de uma reunião com cinco pessoas à mesa enquanto um robô, atrás da parede, escuta com a orelha encostada e anota em um bloco de papel
Imagem gerada usando o Magnific

O que é o Meetily

O Meetily captura o microfone e o áudio do sistema ao mesmo tempo, transcreve em tempo real e guarda gravação, transcrição e notas em um banco de dados local. Funciona com Zoom, Google Meet, Microsoft Teams e qualquer programa que reproduza som no computador. Não depende de integração com a plataforma: escuta o que passa pela placa de som e o que entra pelo microfone. A interface é desktop, com instaladores para Windows e macOS. Para capturar os dois lados da conversa, o usuário precisa conceder permissões de microfone e áudio do sistema; relatos no macOS mostram que essa captura já falhou mesmo após a instalação.

O projeto é mantido pela Zackriya Solutions e distribuído em duas versões. A Community Edition é gratuita, com licença MIT, e a Pro custa US$ 10 por usuário ao mês, faturada anualmente (US$ 120 por usuário ao ano), segundo a página de preços. O pagamento é processado em dólar pela Lemon Squeezy, com cartão, PayPal ou Apple Pay. Não há preço em real nem emissão de nota fiscal brasileira divulgada.

Otter.ai, Granola e Fireflies.ai oferecem planos gratuitos e assinaturas pagas; todos dependem de serviços em nuvem para parte do fluxo. O Otter.ai sai por US$ 16,99 por usuário ao mês no plano mensal e usa um bot que entra na reunião; o Granola cobra US$ 14 por usuário ao mês e captura o áudio do dispositivo, sem bot; o Fireflies.ai fica em US$ 10 por usuário ao mês no plano anual e oferece tanto um bot de reunião quanto gravação sem bot pela extensão do Chrome. As estrelas do GitHub medem interesse, não qualidade nem adoção: o repositório tem 361 issues abertas e a última versão, a 0.4.1, saiu em 12 de setembro de 2026.

Fora do repositório, a recepção inclui um teste prático da WIRED publicado em 9 de agosto de 2026. O Alphr descreve a escolha entre modelos locais e remotos; o Private Notetaker ressalta que transcrição local não garante resumo local quando o usuário escolhe uma API externa.

Tecnologia e o que roda na sua máquina

A base é Rust no núcleo e TypeScript na interface. A transcrição usa duas famílias de modelos: o Whisper, que virou padrão de fato no reconhecimento de fala aberto, e o Parakeet, da NVIDIA, na conversão ONNX. O projeto aproveita trechos de código do whisper.cpp, do transcribe-rs e do Screenpipe, segundo o README. A aceleração por GPU depende da plataforma: Metal e CoreML vêm ligados nos pacotes de macOS, Vulkan no instalador de Windows, e CUDA exige compilar o projeto com o kit da NVIDIA.

Quem já mexeu com Whisper conhece a parte chata do caminho: instalar dependências, escolher o tamanho do modelo, montar uma interface. O Buzz, aplicativo local com licença MIT, resolve isso para arquivos de áudio e vídeo. O mesmo modelo também aparece em outras ferramentas que já passaram pelo blog, como no OpenCut, que usa o Whisper para gerar legendas automáticas sem mandar o vídeo para servidor. O Meetily ocupa outro espaço: captura os dois lados da chamada, transcreve ao vivo e junta notas e resumo no mesmo lugar.

Os resumos são o ponto onde a promessa de privacidade pede leitura atenta. O caminho local usa o Ollama e é o recomendado no README. Se o usuário preferir Claude, OpenAI, Groq, OpenRouter ou um endpoint compatível, o texto da transcrição sai do computador; o áudio continua na máquina. O site do projeto publica um índice de retenção de dados por provedor.

Reaproveitar gravações que já existem

O recurso Import and Enhance, em beta, aceita arquivos de áudio e vídeo já existentes e gera a transcrição no próprio computador. Também permite retranscrever uma reunião gravada com outro modelo ou outra configuração de idioma, se a primeira tentativa saiu ruim. Isso não significa traduzir automaticamente a conversa de um idioma para outro. A função entrou por contribuição de Jeremi Joslin, com melhorias de Vishnu P S e Mohammed Safvan, segundo o repositório. A tabela oficial anuncia importação de áudio e vídeo em dez formatos, mas não especifica ali as extensões nem o tamanho máximo dos arquivos.

Isso muda o cálculo para quem tem arquivo antigo parado. Em vez de procurar um serviço que aceite upload de áudio, o caminho é importar o arquivo no aplicativo e deixar a transcrição rodar na própria máquina, com a ressalva de que a função ainda é beta e pode mudar entre versões.

Recursos já existentes

A versão gratuita cobre o essencial de uma reunião, com processamento local como padrão.

  • Transcrição em tempo real com os modelos Whisper ou Parakeet
  • Captura simultânea de microfone e áudio do sistema, com mixagem e proteção contra clipping
  • Seleção do dispositivo de áudio e aceleração por GPU quando disponível
  • Resumos por Ollama ou por provedor com chave própria
  • Importação de áudio e vídeo e retranscrição de gravações existentes, em beta
  • Edição da transcrição e exportação das notas, com PDF, DOCX e Markdown listados entre os recursos da versão Pro

Vale lembrar que Markdown virou o formato de troca entre ferramentas de IA, e o blog já mostrou o MarkItDown, da Microsoft, que converte PDF, Word e Excel nesse formato para alimentar modelos de linguagem.

O que está por vir

O aplicativo nativo para Linux está em desenvolvimento e tem lista de espera; hoje o caminho é compilar o código-fonte. O README ainda lista a identificação automática de falantes como recurso futuro, mas ela já aparece como disponível na Pro. Chat com reuniões e integração com calendário seguem como planos anunciados; implantação em servidor gerenciado é oferecida sob consulta para Enterprise. O README traz uma oferta antiga de desconto, por isso não deve ser usado sozinho para checar o estado dos planos.

Principais dúvidas sobre o projeto

Preciso pagar para usar?

Não para o essencial. A Community Edition é gratuita, tem licença MIT e mantém transcrição local, resumos e importação de gravações. A versão Pro tem licença comercial e custa US$ 10 por usuário ao mês com cobrança anual. Ela acrescenta identificação de falantes, modelos maiores, modelos de resumo personalizáveis e exportação avançada; a empresa oferece implantação em servidor gerenciado sob consulta para Enterprise.

Funciona em português?

A transcrição é multilíngue, com mais de 99 idiomas anunciados. O que não existe é comprovação pública de precisão em português brasileiro: a apuração não encontrou teste de terceiro com áudio em português, e a documentação do repositório está em inglês. O site mantém uma página em português, mas sem indicação de que o aplicativo tenha interface traduzida.

O que exatamente fica no meu computador?

A gravação, a transcrição e as notas, guardadas em um banco local. Com o Ollama, o resumo também fica. Se a opção for um provedor com chave própria, só o texto da transcrição é enviado, e o áudio permanece na máquina.

Dá para usar sem internet?

Sim, para gravar, transcrever e resumir com modelo local, depois de baixar os modelos na primeira execução. Provedor de resumo na nuvem exige conexão.

Funciona no Linux?

Ainda não de forma nativa. O repositório traz instruções de compilação, e o aplicativo para Linux está em desenvolvimento, com lista de espera. Não há instalador pronto.

Posso gravar reunião no Brasil?

A Lei 9.296/1996, no artigo 10-A, estabelece que não há crime na captação ambiental feita por um dos interlocutores. O Supremo Tribunal Federal aceita, em regra, esse tipo de gravação como prova, com ressalva para gravação clandestina em ambiente privado em processo eleitoral. A recomendação prática é avisar os participantes, definir a finalidade do registro, limitar quem tem acesso e decidir com cuidado se a transcrição vai para uma API externa.

Quem quer manter conversa confidencial fora da nuvem e trabalha em Windows ou macOS encontra no Meetily uma opção com licença MIT, código aberto para auditoria e 31,5 mil estrelas de interesse. Quem depende de Linux nativo, de suporte em português testado ou de garantia de conformidade com a LGPD ainda não tem isso pronto no projeto.

Fonte: Repositório do Meetily no GitHub, site oficial e teste da WIRED.