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Linus Torvalds recua: LLMs geram mais código genérico do que produtividade real

Linus Torvalds, criador do Linux e do Git, revisou publicamente sua própria estimativa de que modelos de linguagem de grande escala (LLMs) poderiam aumentar em dez vezes a produtividade de programadores. Durante o Open Source Summit India 2026, em Mumbai, Torvalds classificou o número como “não científico” e “tirado da minha cabeça, obviamente”. Segundo ele, a tecnologia tem gerado mais código de baixa qualidade e relatórios de bugs falsos do que contribuições realmente úteis para o kernel Linux, consumindo tempo dos desenvolvedores para identificar erros e informações incorretas. Por outro lado, Torvalds reconheceu que a inteligência artificial já ajudou a encontrar falhas de segurança importantes, incluindo vulnerabilidades antigas que deveriam ter sido descobertas há décadas.

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Fotografia: Linus Torvalds, LinuxCon 2011 | Linux Foundation

O número “tirado da cabeça”

Em entrevistas anteriores, Torvalds havia sugerido que LLMs poderiam multiplicar a produtividade dos programadores por um fator de dez. A declaração foi recebida com entusiasmo por defensores da IA generativa no desenvolvimento de software. Mas, em julho de 2026, durante o tradicional bate-papo com Dirk Hohndel na conferência da Linux Foundation, Torvalds voltou atrás. “Esse número não era científico”, disse. “Foi tirado da minha cabeça, obviamente.”

O criador do Linux afirmou que, na prática, o cenário é diferente. “Chegamos ao ponto em que, esperamos, a IA cria mais produtividade do que tira, mas certamente vimos mais lixo sendo gerado por LLMs do que código útil até o início deste ano”, declarou. Ele descreveu muitas correções geradas por IA como “remendos sem sentido” que resolvem o sintoma imediato, mas deixam a causa subjacente intacta. “Pode corrigir o problema imediato, mas o tipo de bug permanece e fica esperando no corredor para atingir você em outro lugar”, disse Torvalds.

O dilúvio de relatórios de bugs gerados por IA

Torvalds destacou que um dos maiores problemas enfrentados atualmente pela comunidade do kernel é o volume de relatórios de bugs produzidos por ferramentas de IA. Muitos desses relatórios são convincentes na aparência, mas exigem um esforço significativo para identificar que são alucinações. “Você recebe relatórios de bugs que parecem totalmente válidos, e pode levar muito esforço para descobrir que aquilo era apenas uma alucinação”, afirmou. “Pode ser um enorme dreno de recursos quando leva muito tempo para as pessoas descobrirem que aquele relatório gerado por máquina não era verdade.”

Em maio, durante o anúncio do Linux 7.1-rc4, Torvalds já havia alertado que a lista de segurança do kernel estava se tornando “quase completamente ingerenciável” por causa da enxurrada de relatórios duplicados. De acordo com o mantenedor Willy Tarreau, a lista de segurança passou de duas a três notificações por semana (dois anos atrás) para cinco a dez por dia em março de 2026. A situação forçou a comunidade a criar uma nova política: bugs descobertos por IA devem ser tratados como informações públicas, não como vulnerabilidades sigilosas.

O lado positivo: segurança e bugs antigos

Apesar das críticas, Torvalds fez questão de reconhecer o valor da IA para a segurança do kernel. Ele descreveu alguns problemas descobertos por inteligência artificial como “absolutamente impressionantes, quero dizer, interessantes de uma forma dolorosa”, especialmente vulnerabilidades de segurança que “aparecem na imprensa de tecnologia dois dias depois”. O criador do Linux afirmou que a IA já encontrou falhas que “provavelmente deveriam ter sido descobertas há vinte anos”, bugs antigos que passaram despercebidos por décadas no código do kernel.

“Acho que estamos muito melhor com LLMs encontrando bugs, mesmo quando são embaraçosos e são coisas que provavelmente deveríamos ter encontrado há duas décadas”, disse Torvalds. Ele também destacou que, nos meses recentes, LLMs apontaram vários bugs inter-relacionados na mesma área do kernel, o que gerou uma sequência de correções que se tornaram notícia nas semanas seguintes. Para Torvalds, o benefício líquido é positivo: o bug foi encontrado e corrigido, mesmo que o processo tenha sido desconfortável.

A nova política do kernel para contribuições com IA

Diante do aumento de contribuições geradas por inteligência artificial, a comunidade do kernel Linux adotou regras mais rígidas. Agentes de IA não podem mais usar a tag “Signed-off-by”, que tem valor legal no ecossistema Linux. Em vez disso, os desenvolvedores humanos devem usar a nova tag “Assisted-by” para declarar transparência sobre o uso de ferramentas de IA. Cada linha de código gerada por IA, e qualquer bug resultante, continua sendo responsabilidade legal da pessoa que a submete.

Torvalds foi direto ao falar sobre o que espera de quem usa IA para contribuir com o kernel: “Queremos ver um patch sugerido. Queremos ver o humano que executou o LLM atuar como uma espécie de intermediário, verificando e entendendo o resultado.” Para quem simplesmente envia relatórios de bugs descobertos por IA sem adicionar valor real, a recomendação é clara: “Não seja aquele tipo de pessoa que passa por aqui, envia um relatório aleatório sem nenhum entendimento real, ok?”

Fontes: LWN.net – Dirk and Linus discuss AI and kernel development, The New Stack – Why Linux creator Linus Torvalds gets angry hearing “99% of code is AI”, Slashdot – Linus Torvalds: AI-Detected Bug Reports Make Kernel Security List Unmanageable, iGuru – Linus Torvalds on LLMs.