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Internet via Satélite além da Starlink no Brasil?

Se você chegou até aqui cansado das polêmicas envolvendo o X ou simplesmente prefere não depender do ecossistema de Elon Musk, a pergunta é inevitável: existe alternativa real à Starlink para o brasileiro comum? Fomos investigar as concorrentes que prometem disputar a órbita baixa — e o cenário em 2026 começa a mudar.

Internet via Satélite
Internet via Satélite, alternativas à Starlink começam a sair do papel em 2026

Amazon Leo (ex-Kuiper): a promessa que virou nome

A Amazon Kuiper, agora rebatizada como Amazon Leo, é, no papel, a única rival com escala para enfrentar a Starlink. A empresa promete integração profunda com a AWS e antenas compactas que cabem na mochila. A Anatel já concedeu licença de operação no Brasil, mas o serviço comercial para o consumidor final (CPF) ainda não começou. A Amazon também adquiriu a Globalstar por US$ 11 bilhões, reforçando seu plano para o setor. Os primeiros lançamentos dos satélites de produção sofreram atrasos climáticos, e a expectativa agora é que o serviço desponte no segundo semestre de 2026.

OneWeb e E-Space: o clube fechado

A OneWeb (hoje sob o guarda-chuva da Eutelsat) e a E-Space aparecem nas manchetes do setor, mas seu modelo de negócios continua longe do consumidor comum. Ambas são estritamente B2B e governamental: vendem links dedicados para navios, companhias aéreas e operadoras que precisam de backhaul para 4G/5G em áreas remotas. Em janeiro de 2026, a Eutelsat encomendou mais 340 satélites OneWeb da Airbus, com entregas previstas para o fim do ano. Já a E-Space promete uma constelação de 8.640 satélites, mas, segundo reportagem do Poder360, opera em um espaço de coworking em São Paulo, o que levanta dúvidas sobre a execução.

SpaceSail: a novidade chinesa no radar da Anatel

Enquanto isso, um nome novo aparece no radar: a SpaceSail, constelação chinesa de órbita baixa, obteve autorização da Anatel para operar no Brasil com até 324 satélites em 2026. A empresa promete internet de banda larga para regiões remotas e pode ser a primeira alternativa real de olho no consumidor pessoa física fora do eixo Musk–Bezos. A AST SpaceMobile também está no páreo, com planos de chegar a 45 satélites em órbita até o fim de 2026 e conectar celulares comuns diretamente via satélite.

O dilema da latência e a realidade do mercado no Brasil

Se a necessidade é de baixa latência e alta velocidade em áreas remotas hoje, a realidade brasileira continua binária. As operadoras tradicionais de satélite geoestacionário — HughesNet, Viasat — têm cobertura nacional sólida, mas a física é implacável: o sinal viaja 36 mil quilômetros, resultando em latências acima de 600 ms. Isso inviabiliza videoconferência, jogos online e qualquer aplicação em tempo real. Fora isso, as franquias de dados continuam restritivas.

Por enquanto, a Starlink mantém a hegemonia na órbita baixa, a empresa ultrapassou 1 milhão de clientes no Brasil em fevereiro de 2026. Mas o horizonte está mais movimentado do que nunca. A Amazon Leo ensaia sua estreia, a SpaceSail recebeu sinal verde da Anatel, e a OneWeb expande sua frota. Quem precisa de internet de alta performance fora dos grandes centros já não precisa mais olhar só para o céu de Musk, mas ainda vai precisar esperar até o final de 2026 para ter outra opção de fato.

Fontes: E-Space, Telesíntese, OneWeb, SpaceSail/Telesíntese, Poder360