Sam Altman, CEO da OpenAI, fez uma oferta que parou o Vale do Silício: US$ 2 milhões em créditos de API, os chamados tokens, para cada startup da Y Combinator em troca de participação na empresa. O anúncio aconteceu durante um evento fechado do YC em maio e foi recebido como um “momento de microfone” pelo sócio da aceleradora Tyler Bosmeny.

Mas o que isso significa na prática? A OpenAI não está dando dinheiro, está dando acesso ao seu modelo de inteligência artificial. As startups podem usar os créditos para rodar chamadas de API, desenvolver produtos e escalar suas operações sem gastar o caixa que têm em mãos.
O que é equity?
Equity é uma palavra em inglês que significa participação acionária, ou seja, um pedaço da empresa. Quando a OpenAI “investe” US$ 2 milhões em tokens em uma startup, ela não quer o dinheiro de volta: ela quer uma fatia do negócio. Se a startup crescer e valer muito no futuro, esse pedaço vai valer muito também.
O mecanismo usado é um SAFE (Simple Agreement for Future Equity), um tipo de contrato comum em startups de tecnologia. Em vez de definir agora quanto vale a empresa, o SAFE posterga essa conta para quando a startup levantar sua primeira rodada de investimento com valuation definido, geralmente a Série A. Na prática, a OpenAI aposta no crescimento da empresa e só descobre o tamanho da sua fatia mais tarde.
O pacote bilionário
Cerca de 169 startups estão na turma atual da Y Combinator. Com US$ 2 milhões em tokens para cada uma, o pacote total chega a US$ 338 milhões. Estimativas de mercado sugerem que a OpenAI ficaria com aproximadamente 2% de cada startup que aceitar a oferta, considerando um valuation de US$ 100 milhões na Série A.
Para efeito de comparação, a própria Y Combinator já toma 7% de cada startup em troca de US$ 500 mil em dinheiro. O investimento da OpenAI é em tokens, não em dinheiro vivo, mas oferece um volume muito maior de recursos para quem está começando. O YC também estendeu o prazo de inscrição para o verão justamente para que mais founders pudessem aproveitar a oferta.
O lado da moeda
Para a OpenAI, a jogada é dupla. De um lado, ganha equity em centenas de startups, um portfólio que pode se valorizar enormemente. Do outro, garante que essas empresas construam seus produtos sobre a infraestrutura da OpenAI desde o primeiro dia, criando um vínculo difícil de desfazer depois. Para os founders, a conta é mais direta: tokens custam caro no início, e US$ 2 milhões em créditos de API podem pagar meses de desenvolvimento sem consumir o caixa da empresa. Mas equity também é precioso, founders precisam dele para atrair investidores e contratar talentos.
No meio desse aquecimento todo, fica a pergunta: será que isso acelera ou alimenta uma bolha de IA?
Fonte: TechCrunch




