Mark Zuckerberg fechou o Meta Connect 2026, na noite de 23 de setembro, com um aparelho que não estava na lista de ninguém: o Muse Charm, um dispositivo do tamanho da palma da mão que dá corpo físico ao Muse, o agente de IA pessoal da Meta. O formato lembra o Tamagotchi, o bichinho virtual da Bandai que virou febre nos anos 1990. O conteúdo agora é um assistente que conversa em tempo real e executa tarefas.

A Meta chama o aparelho de “holdable”, algo como “de segurar”, e diz que ele leva “o poder do Muse com um modelo de voz em tempo real de última geração para um dispositivo que cabe no bolso”. Mais detalhes ficaram prometidos para ainda este ano.
Boa parte do que se sabe sobre o hardware vem da Bloomberg, que ouviu pessoas com conhecimento do projeto. Segundo a agência, o Charm tem tela OLED sensível ao toque de cerca de 2 polegadas, sensor de impressão digital no canto, câmeras frontal e traseira, alto-falantes, microfones, conexão 5G própria e porta USB-C, além de um sistema operacional novo. As câmeras servem principalmente para dar contexto visual ao agente. Não substituem a câmera do celular.
Na tela, o Muse aparece como um personagem animado. O usuário pode mudar aparência, roupas, voz e outros atributos. Dois Charms se reconhecem e interagem quando ficam próximos, e a configuração passa pelo aplicativo Muse, disponível para iPhone e Android.
Como o aparelho funciona
Para falar com o agente, basta tocar no sensor de impressão digital. A ideia é dispensar o desbloqueio do celular e a abertura do aplicativo. “Se você não está usando óculos, essa vai ser, de longe, a forma mais rápida de falar com o seu Muse e mostrar o que está acontecendo ao seu redor”, disse Zuckerberg na apresentação.
O avatar usa uma tecnologia da Meta Superintelligence Labs chamada Muse Realtime Avatar, que transforma a voz em tempo real do agente em um personagem expressivo. A Meta afirma que o sistema aceita uma imagem de referência, como um retrato, uma ilustração ou até um animal, e gera o vídeo do personagem em tempo real. O Muse chegou depois do Muse Spark, o modelo multimodal que a Meta apresentou em abril de 2026 no lugar da família Llama, e foi lançado no começo de setembro de 2026 nos Estados Unidos, em iOS, Android e na web. Desde então, liderou as listas de aplicativos mais baixados do país na App Store e no Google Play.
A Meta não divulgou preço nem os países onde pretende vender o Muse Charm. A Bloomberg apurou que o aparelho deve custar perto do preço de um smartwatch, mas a empresa ainda não definiu as tarifas das operadoras para o 5G.
Zuckerberg disse que a empresa construiu “apenas alguns” exemplares e que ainda precisa finalizar o material de acabamento e o posicionamento dos componentes. A promessa é ter o aparelho “pronto para enviar a tempo das festas, em dezembro”, sem dia marcado.
O que ainda não foi divulgado
Preço, autonomia de bateria, peso, armazenamento e processador não foram informados pela Meta. Por enquanto, a página oficial do Muse Charm apenas recolhe e-mails de interessados. Segundo a Reuters, o aparelho não faz chamadas telefônicas.
A comparação com o Tamagotchi aparece nos veículos que cobriram o anúncio, não em uma definição da Meta. O TechCrunch descreve o Charm como um totem com avatar animado e lembra que esse avatar é chamado internamente de Jolly. Não há sinal de mecânicas de cuidado, alimentação ou evolução como as do brinquedo da Bandai.
O que mais a Meta apresentou no Connect 2026
O Meta VR Glasses, óculos de realidade virtual que pesam cerca de 100 gramas, usa painéis micro-OLED em um display 5K e traz rastreamento de olhos e mãos. Custa 1.299,99 dólares e chega às lojas na primavera de 2027 no hemisfério norte, entre março e junho. O Brasil não está na lista de países de lançamento.
O Ray-Ban Meta Audio é o primeiro modelo da linha sem câmera. Pesa 43 gramas, toca música e podcasts, atende chamadas e traduz conversas ao vivo, com até 12 horas de bateria e mais 48 horas no estojo de recarga. Custa 349 dólares, está em pré-venda e começa a ser enviado em 13 de outubro, sem data para o Brasil.
O Ray-Ban Meta de terceira geração ganhou armação mais fina, até nove horas de bateria, conjunto de seis microfones e botão de ação configurável, além da câmera de 12 MP com gravação em 3K. Custa a partir de 449 dólares nos Estados Unidos. A Meta não confirmou a linha no mercado brasileiro, embora já exista página do produto na loja da Ray-Ban no país.
A empresa também afirmou que a linha própria Meta Glasses chega “em breve” ao Brasil, sem data nem preço definidos.
A Meta prometeu divulgar detalhes do Muse Charm, incluindo preço e países, ainda este ano. Dezembro segue como meta de lançamento, não como data de venda confirmada.
Fonte: Meta




