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Bots farão tráfego 1.000 vezes maior que humanos na internet

A Cloudflare revisou mais uma vez a própria previsão sobre o futuro do tráfego na internet e agora estima que, em cinco anos, o volume gerado por máquinas será até 1.000 vezes maior que o produzido por humanos. O chief financial officer (CFO) da empresa, Thomas Seifert, apresentou o novo número durante a conferência de resultados do segundo trimestre, na quinta-feira (6 de agosto). A projeção ganhou destaque porque não prevê uma queda no uso da rede pelos usuários: a diferença viria apenas da velocidade com que o tráfego automatizado cresce.

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A companhia já havia errado o timing antes. A expectativa inicial era que bots superariam pessoas em 2027, mas as medições internas mostram que essa virada aconteceu em maio deste ano. Hoje, segundo os dados da própria Cloudflare, cerca de 57% de todas as requisições feitas à web são originadas por máquinas, contra 43% de pessoas. Seifert admitiu, com bom humor, que errara a previsão em todas as etapas do caminho, mas insistiu na nova estimativa: “Se as tendências atuais continuarem, achamos que, em cinco anos, o tráfego não humano será até 1.000 vezes maior que o humano”.

Por que os bots consomem tanto tráfego

O salto é impulsionado pela inteligência artificial e pela forma como os agentes automatizados navegam. Um humano que pesquisa um produto visita, na média, cinco sites antes de decidir. Um agente de IA, no mesmo tipo de tarefa, pode acessar milhares de páginas, porque varre o conteúdo para encontrar a resposta mais completa. O resultado é uma carga real sobre servidores, com custo de infraestrutura e de banda que recai sobre quem publica conteúdo.

Esse novo desenho quebra o modelo que sustentou a web por décadas. Antes, mecanismos de busca enviavam leitores de volta aos sites, mantendo o ciclo de publicidade e assinaturas. Agora, parte dos bots consome o material sem gerar visitas, o que pressiona publicadores e varejistas. Para lidar com o cenário, a própria Cloudflare lançou ferramentas de atribuição e cobrança por acesso, e anunciou que bloqueará por padrão rastreadores de uso misto em páginas com anúncios a partir de setembro.

O que isso significa para o Brasil

O impacto não é exclusivo do exterior. No país, o tráfego automatizado também cresce em lojas e portais de notícia, e a infraestrutura para sustentar esse volume encarece justamente em um mercado onde o câmbio e os impostos sobre tecnologia já pesam no orçamento de empresas e consumidores. Sites médios e pequenos, hospedados em planos limitados, tendem a sentir primeiro o peso dos rastreadores, o que exige monitorar logs e revisar regras de acesso para separar bots úteis de abusivos.

Fonte: The Register | Cloudflare