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Alibaba lança chip Zhenwu M890 e acirra corrida de hardware de IA

A Alibaba apresentou no dia 20 de maio, durante o Alibaba Cloud Summit em Hangzhou, o Zhenwu M890, seu processador de inteligência artificial mais potente até hoje. Desenvolvido pela subsidiária de semicondutores T-Head, o chip promete três vezes mais desempenho que o antecessor Zhenwu 810E e foi projetado especificamente para a nova onda de agentes de IA — sistemas autônomos que executam tarefas complexas com mínima intervenção humana.

O anúncio não veio sozinho. A Alibaba também revelou o modelo de linguagem Qwen 3.7-Max, o servidor Panjiu AL128 (que integra 128 aceleradores em um único rack) e um roteiro de chips que se estende até 2028. É o movimento mais agressivo dá companhia em direção à independência total em infraestrutura de IA.

Zhenwu
Imagem gerada por IA com Magnific (estilo kawaii isométrico)

O que é o Zhenwu M890

O Zhenwu M890 é um acelerador de IA baseado na arquitetura PPU (Parallel Processing Unit) desenvolvida internamente pela T-Head. Ele vem com 144 GB de memória HBM3 — 50% a mais que os 96 GB do 810E — e oferece 800 GB/s de largura de banda entre chips, um salto em relação aos 700 GB/s dá geração anterior.

O chip suporta formatos de precisão que vão de FP32 (32 bits) até FP4 (4 bits), o que permite que uma mesma unidade lide tanto com treinamento de alta precisão quanto com inferência rápida e de baixo custo. Em termos de desempenho bruto, o M890 entrega 0,6 PFLOPs em FP16, o que o coloca próximo dá classe do Nvidia A100 e três vezes acima do Nvidia H20, segundo a empresa.

Além do chip em si, a T-Head lançou o ICN Switch 1.0, um chip de interconexão com 25,6 Tbps de largura de banda agregada e latência peer-to-peer inferior a 150 nanossegundos. Esse componente é o que viabiliza o servidor Panjiu AL128, que reúne 128 aceleradores M890 em um único rack com largura de banda interna na casa dos petabytes por segundo.

Projetado para a era dos agentes de IA

O diferencial do Zhenwu M890 não está apenas nos números. A Alibaba projetou o chip especificamente para cargas de trabalho de IA agêntica — sistemas que precisam manter longos trechos de contexto em memória, coordenar-se com outros modelos em tempo real e executar tarefas de múltiplas etapas com supervisão humana limitada. Essas demandas são diferentes do que os processadores de inferência tradicionais foram otimizados para fazer.

O Qwen 3.7-Max, lançado no mesmo evento, foi desenhado para esse tipo de operação. Em um benchmark interno, o modelo rodou por 35 horas consecutivas em um chip M890 que nunca tinha visto durante o treinamento, executou mais de 1.000 chamadas de ferramentas e entregou um kernel de computação de IA que superou em dez vezes a versão oficial do fabricante do chip. O modelo também é otimizado para harnesses como OpenClaw, Hermes Agent, Claude Code e Qwen Paw.

560 mil chips e um roteiro ambicioso

A T-Head já enviou mais de 560 mil unidades dá série Zhenwu para mais de 400 clientes externos em 20 indústrias, incluindo montadoras e instituições financeiras. O CEO dá Alibaba, Eddie Wu, disse durante a teleconferência de resultados que 60% dá capacidade de computação dos chips já atende clientes externos, e que a empresa espera que a receita de produtos de IA ultrapasse as vendas convencionais de cloud compute em aproximadamente um ano.

O roteiro de chips é igualmente ambicioso. A T-Head planeja lançar o Zhenwu V900 no terceiro trimestre de 2027, com mais um ganho de três vezes no desempenho, 216 GB de memória e 1.200 GB/s de largura de banda. Em seguida, o Zhenwu J900 está previsto para o terceiro trimestre de 2028, com novas melhorias de arquitetura. A cadência anual de atualizações se aproxima do ritmo que a Nvidia mantém com suas linhas de aceleradores.

Em junho, a T-Head triplicou seu capital registrado para 1 bilhão de yuans (cerca de US$ 148 milhões), o primeiro aumento em mais de três anos, sinalizando que a Alibaba está dobrando a aposta em semicondutores próprios.

O contexto geopolítico

O lançamento do M890 acontece em um momento em que as restrições dos EUA às exportações de chips avançados dá Nvidia para a China tornam o mercado doméstico de alternativas cada vez mais estratégico. O H200 dá Nvidia, que chegou a ser licenciado para venda na China, enfrenta incertezas regulatórias que efetivamente travam sua entrada no país.

Analistas do setor veem o M890 como um “Plano B” confiável para empresas chinesas. Brady Wang, diretor associado dá Counterpoint Research, disse à CNBC que “em termos de potência bruta de silício, o M890 não é um concorrente de verdade do H200. Mas não precisa ser. No mercado chinês, é uma substituição crível para o H200.”

A Alibaba não está apenas preenchendo uma lacuna deixada pelas sanções — está construindo um ecossistema completo. Como observou o site especializado ArtificialDaily, “em algum momento, construir em torno das restrições de exportação dos EUA deixa de ser uma solução alternativa e passa a ser uma estratégia. A Alibaba aparentemente cruzou essa linha.”

Fontes: CnTechPost — Cara Yu, CNBC — Evelyn Cheng e Dylan Butts, Alibaba Group (comunicado oficial), Data Center Dynamics — Georgia Butler, South China Morning Post