A Figma anunciou nesta terça-feira (7) a aquisição da equipe por trás do Bud, plataforma de vibe-coding e agentes de IA que começou como Orchids. O aplicativo, que prometia criar aplicativos funcionais para web, mobile, Slack e navegadores usando apenas comandos de texto, foi criado pela aceleradora Y Combinator e chegou a ter 1 milhão de usuários, incluindo Google, Uber e Amazon como clientes. Com a aquisição, tanto o Bud quanto o Orchids serão desligados em 18 de julho.

O que era o Bud
O Bud nasceu como Orchids em 2025, um construtor de aplicativos por linguagem natural que permitia a qualquer pessoa criar apps para web, mobile, Slack e navegadores sem escrever uma linha de código. Depois, a startup se rebatizou como Bud e pivotou para agentes de IA capazes de navegar na web, escrever código e automatizar fluxos de trabalho complexos.
Segundo o perfil da Y Combinator, o Bud era descrito como um “agente com um computador” que podia trabalhar a partir da web, texto ou Telegram, navegar em sites, construir e codificar, criar pesquisas, slides, documentos e planilhas, e rodar de forma autônoma. A equipe tinha menos de 10 pessoas, fundada por Kevin Lu e Bach Tran, ambos ex-alunos de ciência da computação da Universidade da Pensilvânia.
O CEO Kevin Lu anunciou a aquisição no X, chamando a Figma de “uma das empresas de produto mais definidoras do nosso tempo” e dizendo que a plataforma era “um lar natural” para a próxima fase do trabalho da equipe.
O que a Figma ganha com isso
A aquisição é claramente um acqui-hire – a Figma está contratando o talento, não o produto. Tanto o Bud quanto o Orchids vão fechar em 18 de julho, e os usuários precisam migrar ou baixar seus projetos até lá. A Figma disponibilizou uma ferramenta de exportação de dados em 8 de julho.
O movimento é o mais agressivo da Figma na direção de ferramentas de desenvolvimento desde que a fusão de US$ 20 bilhões com a Adobe fracassou sob pressão regulatória. Sem a fusão, a empresa vem construindo e comprando seu caminho na era da IA. No início do ano, a Figma lançou um agente de design com IA que gera e edita interfaces dentro do canvas. Também abriu a plataforma para agentes de codificação externos através do Model Context Protocol (MCP), e agora ferramentas como Claude Code e OpenAI Codex podem interagir diretamente com arquivos do Figma.
A ferramenta Figma Make, lançada no ano passado, já permite criar aplicativos web funcionais a partir de prompts. Segundo a TechCrunch, cerca de 60% dos clientes pagantes com mais de US$ 100 mil em receita recorrente anual usam o Figma Make semanalmente. A receita do primeiro trimestre subiu 46% ano a ano, para US$ 333,4 milhões.
O lado preocupante do vibe-coding
A aquisição também vem com uma sombra. No início do ano, a BBC reportou que aplicativos criados no Orchids eram suscetíveis a ataques cibernéticos. O pesquisador de segurança Etizaz Mohsin descobriu uma vulnerabilidade de zero-click que permitia acesso a projetos de um jornalista da BBC e potencialmente controle total do computador da vítima. A falha não foi corrigida na época, e Mohsin disse que a empresa levou semanas para responder aos seus alertas.
Kevin Curran, professor de cibersegurança da Ulster University, fez um alerta mais amplo: “As principais implicações de segurança do vibe-coding são que, sem disciplina, documentação e revisão, esse código frequentemente falha sob ataque.” A Figma não especificou como pretende lidar com as vulnerabilidades anteriores ou como planeja usar a equipe adquirida.
O que esperar
A Figma não revelou detalhes financeiros do acordo, mas fontes do setor estimam um pacote de equity na casa dos oito dígitos baixos. As ações da Figma (FIG) subiram 5,27% com a notícia, fechando a US$ 22,19.
A aquisição do Bud mostra que a Figma está levando a sério a ideia de que o futuro do design passa pela geração de código funcional, não apenas de protótipos visuais. Com uma equipe que já viveu na prática os desafios de transformar prompts em software, a empresa ganha experiência em um dos problemas mais difíceis do mercado atual: fazer com que o que a IA gera seja editável, revisável e entregável por equipes de produto reais.
Fontes: TechCrunch – Figma acquires team behind a vibe-coding app, SaaS Sentinel – Figma Acquires Vibe-Coding Startup Bud, RuntimeWire – Figma buys Bud team, Orchids Blog – The Orchids team is joining Figma




