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Garfield AI vence primeiro caso judicial no Reino Unido

Um escritório de advocacia movido a inteligência artificial venceu o primeiro caso judicial da história com suporte de um “advogado de IA” regulamentado. A plataforma Garfield AI, autorizada pela Solicitors Regulation Authority (SRA) do Reino Unido em abril de 2025, ajudou uma freelancer a recuperar 7 mil libras em pagamentos não recebidos de um cliente no Tribunal do Condado de Wandsworth, em Londres.

Garfield AI
Tribunal de Wandsworth, onde a Garfield AI venceu o primeiro caso com suporte de IA regulamentada

O caso

A freelancer Tamires Camal Taquidir, consultora de RH, prestou serviços para uma empresa do setor de hospitalidade e não recebeu o pagamento. Depois de tentar resolver o extrajudicialmente sem sucesso, ela recorreu à Garfield AI. A plataforma conduziu todas as etapas pré-julgamento: correspondência inicial, protocolo da ação, produção de documentos, quatro declarações testemunhais e a preparação dos autos para o tribunal.

Pouco antes da audiência, a Garfield AI contratou o barrister Dominic Li, do One Essex Court, para representar Taquidir na etapa presencial, a única parte do processo que exigiu intervenção humana. O julgamento durou três horas em 14 de maio de 2026. O tribunal deu ganho de causa à freelancer e ainda rejeitou uma reconvenção apresentada pela empresa devedora.

O custo total para Taquidir foi de aproximadamente 400 libras em taxas da plataforma. Do outro lado, a empresa inadimplente contratou advogados tradicionais, um solicitor e um barrister.

IA + humano: o modelo que funcionou

O caso ilustra um modelo híbrido que a Garfield AI defende desde que recebeu aprovação regulatória da SRA em 2025: a inteligência artificial cuida da preparação e da burocracia jurídica, enquanto um advogado humano assume a advocacia em tribunal. Nas palavras do barrister Dominic Li, “a Garfield apresentou o caso da cliente de forma clara e eficiente, mas a advocacia em julgamento continuou sendo essencial e fundamentalmente humana”.

Philip Young, CEO e cofundador da Garfield AI, chamou o resultado de “momento histórico para o acesso à justiça”. Segundo ele, a inteligência artificial não substituiu o juiz, o barrister ou o sistema legal, apenas tornou o processo mais acessível e barato para que uma reclamante com um caso legítimo pudesse chegar ao tribunal. A Garfield AI já recuperou ou resolveu mais de 500 mil libras em reclamações desde o lançamento, com mais de 600 ações iniciadas na plataforma.

Impacto e contexto

A vitória no Tribunal de Wandsworth é a primeira vez que um escritório de IA regulamentado obtém uma sentença judicial favorável em um julgamento contestado. O caso foi citado pelo alto escalão da magistratura britânica e chegou a ser apresentado ao Comitê de Justiça do Parlamento e ao Comitê de Constituição da Câmara dos Lordes, que o descreveu como “momento histórico” para a tecnologia jurídica.

O setor jurídico britânico, no entanto, também vive sobressaltos com a IA. Em maio, o escritório Pinsent Masons se autorreportou à SRA depois que seu sistema interno de IA enganou o tribunal duas vezes com resultados de busca incorretos, um lembrete de que a tecnologia ainda exige supervisão humana rigorosa.

Para o consumidor comum, o caso abre uma porta: recuperar valores de até 10 mil libras por um custo de centenas, não milhares. A questão é se o modelo vai escalar para disputas mais complexas, e quanto tempo até que reguladores de outros países, incluindo o Brasil, comecem a olhar para o tema.

Fontes: Garfield AI, The Guardian, Computer Weekly