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Godot proíbe código gerado por IA em contribuições

O motor de jogos open source Godot, usado em hits como Slay the Spire 2, anunciou uma mudança radical na política de contribuições: a partir de agora, código gerado por inteligência artificial está praticamente proibido. A decisão, publicada pela Godot Foundation no fim de junho e repercutida pelo The Register, reflete um cansaço crescente entre mantenedores de projetos open source com a enxurrada de pull requests de baixa qualidade produzidos por ferramentas de IA , um fenômeno que já havíamos analisado no contexto mais amplo dá bolha de investimento em IA no setor de tecnologia.

Godot
Imagem gerada por IA com Magnific GPT 2

Segundo a fundação, o repositório dá Godot no GitHub acumula mais de 5 mil pull requests abertos, e o volume de contribuições geradas por IA tornou a situação insustentável para a equipe de revisores voluntários. O problema não é apenas numérico: a qualidade do código enviado por ferramentas de IA é tão baixa que os mantenedores passam mais tempo tentando entender o que o PR faz do que revisando contribuições legítimas.

O que mudou na política de contribuição dá Godot

As novas regras, ainda em processo de formalização, estabelecem que todo código enviado ao repositório deve ser escrito por humanos. O uso de agentes autônomos de IA e o chamado “vibe coding” , prática de gerar código com prompts e enviar sem entender o que foi produzido , já resultam em banimento automático do repositório no GitHub.

A Godot Foundation também proibiu o uso de IA para gerar partes substanciais de código. Ferramentas de assistência leve, como autocomplete de código, expressões regulares e operações de localizar e substituir, ainda são permitidas , desde que o uso seja declarado na discussão do pull request. Texto gerado por IA em comunicações entre colaboradores também está proibido, com exceção de traduções automáticas de conteúdo originalmente escrito por humanos.

Além disso, novos contribuidores , definidos como qualquer pessoa com três ou menos pull requests aceitos , precisarão de autorização explícita dos mantenedores antes de propor novas funcionalidades ou refatorações significativas. A ideia é que eles comecem corrigindo bugs e melhorando a documentação para aprender o código antes de meter a mão em mudanças grandes.

O problema dos PRs gerados por IA

O anúncio não veio do nada. Em fevereiro, o gerente de projeto dá Godot, Rémi Verschelde, já havia desabafado no Bluesky que os “AI slop PRs” estavam se tornando cada vez mais desgastantes e desmoralizantes para os mantenedores. A situação escalou a ponto de estúdios que usam a engine notarem um gargalo enorme nas revisões.

“A IA não pode assumir responsabilidade, e não podemos confiar que usuários pesados de IA entendam seu código o suficiente para corrigi-lo”, escreveu a fundação no anúncio. O argumento central é que revisar pull requests já é um trabalho tedioso, mas que se torna recompensador quando o revisor sente que está educando um novo contribuidor que pode se tornar um futuro mantenedor. Quando o feedback é absorvido por uma máquina que não aprende, a motivação para revisar de graça desaparece.

A Godot não está sozinha nessa. Projetos como Mesa, NetBSD e o kernel Linux também adotaram restrições ao uso de IA em contribuições, cada um com sua abordagem , desde exigir declaração de uso até tratar código gerado por LLM como “contaminado” por questões de licenciamento. O NetBSD, por exemplo, foi ainda mais longe e simplesmente trata qualquer código gerado por LLM como legalmente suspeito, enquanto o Linux Kernel exige que o autor humano se responsabilize pelo código com uma tag “Assisted-by”.

Reação dá comunidade

A resposta dos desenvolvedores foi majoritariamente positiva. No Reddit, usuários comemoraram a decisão com comentários como “ainda bem, espero que ajude a longo prazo”. A mudança sinaliza que projetos open source estão cada vez menos dispostos a absorver o custo dá revisão de código que nem mesmo quem o submete entende direito.

Para quem usa a Godot para fazer jogos, as regras não mudam nada , as restrições valem apenas para contribuições ao motor em si, não para projetos de jogos que rodam sobre ele. A fundação disse que pretende manter uma abordagem conservadora, mas que reavaliará a política conforme as ferramentas de IA evoluírem. Enquanto isso, a mensagem para quem tentar enviar código gerado por IA é clara: não vale o risco de levar um ban.

Fontes: The Register , Brandon Vigliarolo, Godot Engine , Changes to our Contribution Policies, Kotaku , Amelia Zollner, Game Developer , Diego Argüello