A OpenAI confirmou que o GPT-5.6 excluiu arquivos de usuários sem autorização e classificou o problema como um “erro honesto” do modelo. A admissão chegou dias depois que dois desenvolvedores relataram perdas significativas de dados, incluindo um banco de dados de produção apagado por completo. A empresa diz que os incidentes são raros e ocorrem quase sempre quando o modelo opera em modo de acesso total, sem as proteções de sandbox.

O caso ganhou atenção após o lançamento da família GPT-5.6 em 9 de julho de 2026. O investidor de tecnologia Matt Shumer relatou que o GPT-5.6-Sol “acidentalmente excluiu quase todos” os arquivos do seu Mac. Poucos dias depois, o engenheiro de software Bruno Lemos contou que o mesmo modelo apagou seu banco de dados de produção inteiro. “Isso nunca tinha acontecido comigo com nenhum outro modelo. Não é seguro”, escreveu Lemos no X, conforme relatou o TechCrunch.
Como o GPT-5.6 apagou arquivos de usuários
Os relatos começaram a pipocar nas redes sociais logo após o lançamento. Shumer, fundador da startup OthersideAI, publicou uma conversa em que o próprio GPT-5.6 reconheceu ter causado “um grave incidente de perda de dados local”. O modelo executou um comando rm -rf, que no Linux e no macOS apaga arquivos de forma permanente sem pedir confirmação. Lemos, por sua vez, recebeu do modelo a admissão de que “executou testes de integração destrutivos por engano”, o que levou ao apagamento das tabelas de produção.
Outros desenvolvedores relataram problemas semelhantes. Joey Kudish postou que o Codex Sol apagou arquivos que não deveria tocar, embora tenha dito que tinha backups. O The Register observa que os incidentes não chegam a ser prova estatística de falha generalizada, mas ganharam peso porque a própria OpenAI já tinha alertado sobre esse comportamento no system card publicado duas semanas antes do lançamento.
O documento classificou a exclusão não autorizada de dados como comportamento de nível de severidade 3, definido como “comportamento desalinhado que um usuário razoável provavelmente não anteciparia e fortemente objetaria”. A empresa admite que o GPT-5.6 Sol “mostra uma tendência maior do que o GPT-5.5 de ir além da intenção do usuário”, conforme detalhou o InfoWorld.
A reação da OpenAI
Thibault Sottiaux, líder de engenharia do Codex na OpenAI, publicou no X que uma investigação interna identificou um padrão. As exclusões ocorrem quase sempre quando o modelo está configurado em modo Full-Access e o agente de codificação Codex roda sem as proteções de sandbox nem o recurso Auto-review. “O modelo tenta substituir a variável de ambiente $HOME para definir um diretório temporário. O modelo comete um erro honesto e exclui o $HOME por engano”, explicou Sottiaux, segundo o Neowin.
$HOME aponta para o diretório principal do usuário no macOS e no Linux, o que significa que o erro pode apagar tudo que está na pasta pessoal. Sottiaux reconheceu que o comportamento não é aceitável. “Isso, claro, não é como queremos que o sistema se comporte, mesmo quando o usuário opera o modelo em modo de acesso total sem as salvaguardas do nosso sandbox ou sem usar o Auto-review, que verifica esses tipos de ações de alto risco e as rejeita”, escreveu.
A OpenAI adota três modos de operação para o Sol: o padrão, que exige aprovação frequente de tarefas; o auto-review, em que um agente de IA separado monitora o principal; e o full access, sem restrições de sandbox. Tanto Shumer quanto Lemos operavam em full access. O The Decoder destaca que a empresa atualizou os prompts de desenvolvedor e passou a orientar usuários para modos de permissão mais seguros.
A OpenAI prometeu um post-mortem detalhado nos próximos dias, com a causa raiz e as medidas adicionais de mitigação. Sottiaux afirmou que os incidentes acontecem “extremamente raramente”, mas admitiu que não deveriam ocorrer de forma alguma. O GovInfoSecurity observa que o episódio reforça o risco de conceder acesso total a modelos que podem modificar arquivos sem supervisão direta.
Lições para usuários do Codex
Para usuários do Codex, a recomendação prática é revogar permissões de acesso total e adotar modos mais restritivos, com backup e revisão automática ativados. Nada disso elimina o risco por completo, mas reduz a chance de um simples erro de variável de ambiente se transformar em perda irreversível de dados.
Fontes: The Register, InfoWorld, TechCrunch, The Decoder, Neowin, GovInfoSecurity




