O Google vai apertar o cerco contra aplicativos que consomem memória demais no Android. A partir de fevereiro de 2027, os apps distribuídos pela Play Store terão de respeitar limites rígidos de uso de memória RAM, definidos de acordo com a configuração de cada aparelho. A medida é uma resposta direta ao encarecimento das memórias e à aposta das fabricantes em celulares mais modestos.

No Brasil, a mudança chega em boa hora. Grande parte dos aparelhos vendidos por aqui tem 6 GB ou 8 GB de RAM, faixa em que os novos limites são mais restritivos. Para o usuário, a promessa é de menos travamentos e de apps mantidos em segundo plano por mais tempo. Fabricantes que atuam no país também terão de revisar a otimização dos seus aplicativos.
Como funcionam os novos limites
Em um aparelho com 8 GB de RAM, um app poderá usar até 2,25 GB em primeiro plano e 1,5 GB em segundo plano. O mesmo teto de 1,5 GB vale para serviços percebidos pelo usuário, como reprodução de mídia. A medição considera o consumo na faixa do nonagésimo percentil, ou seja, o pico durante o ciclo de uso. O Google detalhou os requisitos em seu blog para desenvolvedores.
Para bitmaps, a regra é ainda mais dura. A memória dedicada a imagens fica limitada a 200 MB em segundo plano e a 400 MB quando o app está em cache. Os valores variam conforme a categoria do aplicativo e a faixa de RAM do aparelho. Celulares com mais de 16 GB de RAM ficam isentos das novas exigências.
O que muda para desenvolvedores
Além do consumo dinâmico, o Google passa a cobrar otimização de código. Os aplicativos precisarão atingir pelo menos 25% de cobertura em otimização, redução e ofuscação usando ferramentas como o R8. A fiscalização técnica começa em fevereiro de 2027, e em abril do mesmo ano entra a exigência de restauração de credenciais em novas transferências de aparelho.
Quem não se adequar pode ver a visibilidade do app cair na Play Store e até perder capacidade de publicação. O Google afirma que a intenção é impedir que um único aplicativo mal otimizado derrube o desempenho de todo o sistema, matando outros apps em segundo plano.
Na prática, os novos limites empurram o ecossistema para uma gestão de memória mais eficiente. Para quem usa um celular com pouca RAM, a tendência é de um Android mais estável e com menos aplicativos sendo encerrados do nada. A regra vale para apps da Play Store a partir de fevereiro de 2027, e a conta da otimização fica com os desenvolvedores.
Fonte: The Register | Android Developers Blog




