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Meta é denunciada ao MP-SP por campanha do Instagram em escolas

A Meta foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo por uma campanha do Instagram realizada em frente a escolas da capital paulista. A representação foi protocolada na quinta-feira (27) pelo Instituto Alana, pela CTRL+Z e pela Plataforma 12, que acusam a empresa de usar estandes, dinâmicas e brindes para divulgar as Contas de Adolescente da rede social sem autorização das instituições de ensino nem dos responsáveis pelos estudantes.

Campanha do Instagram em escolas de São Paulo
Imagem gerada usando o Magnific

No documento, as entidades pedem que o MP-SP apure a conduta da Meta, exija esclarecimentos sobre a ação, determine a interrupção imediata das campanhas e aplique multa por eventuais violações aos direitos de crianças e adolescentes. A denúncia sustenta que a iniciativa configura publicidade abusiva, prática que o Código de Defesa do Consumidor proíbe quando explora a deficiência de julgamento e a inexperiência de menores.

O que aconteceu na porta das escolas

Segundo o Instituto Alana, a CTRL+Z e a Plataforma 12, equipes de promotores montaram estandes e organizaram gincanas nas imediações de colégios como Santa Cruz, Oswald de Andrade, Gracinha, Miguel de Cervantes e Bandeirantes. Os representantes da marca chegavam cerca de 15 minutos antes do horário de saída dos alunos, momento em que a presença de diretores e de pais no entorno é menor.

Durante as dinâmicas, estudantes respondiam a perguntas sobre os recursos de segurança do Instagram e recebiam brindes, sacolas e tatuagens temporárias com o logo da rede. Em um dos casos relatados na denúncia, um menino de 11 anos participou do quiz, no qual o Instagram foi apresentado como “a rede social que mais protege crianças e adolescentes”, e pediu à família para criar um perfil. Relatos apontam ainda que responsáveis que tentaram obter informações foram impedidos de participar.

O que diz a Meta

Em nota, a Meta negou o caráter comercial da ação e afirmou que a ativação fez parte de uma campanha educativa mais ampla sobre as proteções das Contas de Adolescente, direcionada a adolescentes, pais e responsáveis. A empresa citou o ECA Digital, lei em vigor desde março que prevê ações de educação digital pelas plataformas, e disse que o público-alvo eram jovens de 13 a 17 anos.

A companhia também afirmou que a ação, promovida em parceria com a Rádio Disney, ocorreu em locais públicos a pelo menos 500 metros dos portões das escolas e que o quiz era voluntário. Diretores e famílias ouvidos pela imprensa, porém, relataram que os estandes ficavam a menos de 50 metros das entradas. Para as organizações, a Meta usa o ECA Digital de maneira indevida ao apresentar como educativa uma ação dirigida ao público que pretende transformar em usuários.

Pressão no Brasil e no mundo

A denúncia chega em um momento delicado para a Meta. Um dia antes, a empresa fechou um acordo de até US$ 18 bilhões (cerca de R$ 92,9 bilhões) com estados americanos para encerrar um processo que a acusava de incentivar a dependência de menores nas redes sociais. O acordo prevê limite de duas horas diárias de uso, bloqueio noturno e o fim da rolagem infinita para adolescentes.

No Brasil, o Instagram é classificado pelo Ministério da Justiça como produto não recomendado para menores de 16 anos, e o ECA Digital endureceu as regras para as plataformas, com verificação de idade e medidas contra o uso compulsivo. O caso não é o primeiro envolvendo redes sociais e a proteção de menores no país.

Em agosto, o governo processou o Discord e pediu R$ 500 milhões de indenização, em uma disputa que também tem como pano de fundo a segurança de crianças e adolescentes online.

As entidades também questionam se as Contas de Adolescente oferecem a proteção prometida, citando testes que identificaram conteúdos relacionados a suicídio e automutilação acessíveis a jovens. Cabe agora ao MP-SP decidir se abre procedimento contra a Meta, uma definição que pode estabelecer os limites entre educação digital e publicidade dirigida a menores dentro do ambiente escolar.

Fonte: CTRL+Z | G1 | Estadão