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Proibição de memória chinesa cortaria alívio do RAMpocalipse

Dois parlamentares dos Estados Unidos querem impedir que empresas americanas comprem chips de memória de fabricantes chineses, em plena crise global de RAM. A medida atingiria a CXMT e a YMTC, duas empresas que começavam a surgir como alternativa aos preços em alta de Samsung, SK Hynix e Micron. O pedido foi divulgado na quinta-feira (16) e detalhado pelo site The Register.

Imagem gerada por IA com gpt-2

O que os parlamentares pedem

Os deputados John Moolenaar (republicano) e George Whitesides (democrata) enviaram uma carta ao secretário de Comércio Howard Lutnick pedindo uma ordem executiva que proíba pessoas e empresas americanas de comprar DRAM, HBM ou qualquer componente de memória da CXMT, da YMTC ou de qualquer entidade nas listas negras do Pentágono e do Departamento de Comércio. Os dois afirmam que cada compra de memória chinesa subsidia o Exército de Libertação Popular, citado pelo Tom’s Hardware como preocupação central da carta.

A CXMT foi adicionada este ano à lista 1260H do Pentágono de empresas militares chinesas. A YMTC já está na Entity List do Departamento de Comércio. Nenhuma das duas listas impede totalmente compras de produtos acabados, e esse é justamente o alvo dos parlamentares: fechar o que veem como uma brecha legal. Eles também pedem que a CXMT seja incluída na Entity List e que as restrições sobre a YMTC sejam ampliadas.

Por que a pressão vem agora

A crise de memória que a indústria chama de RAMpocalipse tem origem na explosão da demanda por data centers de inteligência artificial. Samsung, SK Hynix e Micron deslocaram cerca de 70% da produção para memória de alta largura de banda (HBM), esvaziando o canal de DDR4 e DDR5. Os preços da DRAM convencional subiram mais de sete vezes no acumulado até fevereiro, segundo a Counterpoint Research, e a consultoria TrendForce prevê alta adicional de até 63% no segundo trimestre de 2026.

Diante disso, Apple, Dell e HP começaram a qualificar chips da CXMT e da YMTC para seus produtos. A Apple chegou a pedir autorização do governo Trump para comprar da CXMT, segundo o Engadget, depois de aumentar em até 20% os preços de Mac e iPad. A CXMT já detém cerca de 9% do mercado global de DRAM e planeja uma oferta pública inicial de US$ 10 bilhões na bolsa STAR de Xangai. A YMTC controla cerca de 11% do mercado de NAND.

O que muda para o mercado

Se a proibição avançar, fabricantes de PC perdem a saída mais rápida para a escassez. Os parlamentares defendem a expansão de capacidade em solo americano e de aliados como resposta duradoura. O problema é que novas fábricas de wafers levam quatro anos ou mais para entrar em produção volume, como nota o The Register. Os preços de memória devem permanecer altos pelo menos até 2028.

A carta também pede coordenação com Japão, Coreia do Sul e União Europeia para impedir que CXMT e YMTC se estabeleçam nas cadeias de suprimentos aliadas. O InfoMoney ressalta que a dependência cria risco inaceitável para a segurança nacional e econômica dos EUA. A medida pode antecipar efeitos no mercado mesmo antes de virar lei, pois departamentos de compras das grandes tecnológicas já trabalham com cenários de risco.

Para o consumidor final, o cenário é de preços altos por mais tempo. Sem a pressão concorrencial chinesa, Samsung, SK Hynix e Micron seguem com margens elevadas e prioridade para clientes corporativos. O Xataka observa que marcas como Corsair, Gloway e KingBank já usavam chips da CXMT em módulos DDR5, o que ajudava a segurar preços no varejo. A proibição pode reverter essa pressão estabilizadora.

Fontes: The Register, Tom’s Hardware, PCMag, InfoMoney, Engadget, Xataka