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Project Aion: o Windows baseado em IA que a Microsoft cancelou

Um vazamento ocorrido em julho de 2026 revelou que a Microsoft desenvolveu internamente, em 2024, um sistema operacional experimental totalmente baseado em inteligência artificial. Batizado de Project Aion, o protótipo funcional colocava o Copilot como centro absoluto da experiência, substituindo o Menu Iniciar, a área de trabalho e os aplicativos tradicionais por uma interface conversacional que rodava dentro do navegador Edge. O projeto, no entanto, não mostra sinais de atividade desde 2024 e tudo indica que foi cancelado.

Aion
Imagem gerada por IA com Qwen 3.7

O que era o Project Aion

O Project Aion era uma incubação interna da Microsoft que explorava como seria um sistema operacional se a inteligência artificial fosse o centro de tudo, em vez de um recurso adicional. O vídeo vazado, com cerca de três minutos, foi publicado originalmente no servidor BetaWiki no Discord e confirmado como autêntico por fontes do Windows Central.

Segundo a documentação vazada, o Aion era uma “casca” de interface construída inteiramente com tecnologias web, usando uma versão modificada do Microsoft Edge como shell do sistema. Isso significa que tudo o que o usuário via — barra de tarefas, menu, janelas — era, na prática, uma página web sofisticada rodando sobre o motor de renderização do Chromium.

O sistema operacional existia em duas versões. A primeira, chamada de Win3, era uma versão enxuta do código do Windows, sem suporte a aplicativos Win32 tradicionais, projetada para inicializar em menos de 10 segundos e consumir menos de 1,5 GB de RAM. A segunda versão rodava sobre o Windows 11 como uma camada alternativa de experiência, mantendo o suporte a aplicativos nativos.

Como funcionava a interface

Ao ligar o computador com o Aion, o usuário não encontrava o Menu Iniciar clássico, ícones na área de trabalho ou o Explorador de Arquivos. Em vez disso, a barra de tarefas exibia um único botão do Copilot no centro. Clicar nele abria uma caixa de texto com a mensagem “Ask me anything” — pergunte qualquer coisa.

Era por ali que tudo acontecia. O usuário podia digitar o nome de um site para abri-lo, fazer uma pergunta ao Copilot, pedir para encontrar um arquivo ou iniciar uma tarefa. O sistema usava um recurso chamado Spaces, que agrupava automaticamente sites, aplicativos e documentos relacionados a uma mesma atividade. Em vez de organizar por tipo de arquivo (todos os Word juntos), o Aion organizava por objetivo: “planejamento de viagem”, “pesquisa de mercado”, “projeto X”.

Outro detalhe impressionante é que, como tudo rodava dentro do Edge, o Copilot conseguia ler o DOM (a estrutura HTML) de cada site aberto, entendendo o contexto completo do conteúdo — não apenas os pixels visíveis na tela. Isso permitia que o assistente executasse tarefas como resumir páginas, redigir e-mails ou automatizar fluxos de trabalho sem que o usuário precisasse sair da conversa.

O problema dos aplicativos legados

A grande aposta — e também o maior problema — do Project Aion era a decisão de abandonar o suporte a aplicativos Win32. Por ser baseado exclusivamente em tecnologias web, o sistema não conseguia rodar programas tradicionais do Windows como Photoshop, ferramentas empresariais antigas ou softwares que dependem de acesso direto ao hardware.

A solução da Microsoft para esse gargalo era o Windows 365. Quando o usuário precisasse de um aplicativo pesado, o Aion detectava a necessidade e oferecia um botão de “handoff” que conectava instantaneamente a um Cloud PC — uma máquina virtual rodando Windows completo na nuvem — com o conteúdo já carregado. Na prática, o computador local virava um terminal para acessar um Windows remoto quando necessário.

Essa abordagem lembra o Chrome OS, do Google, que também adota a filosofia de um sistema baseado em navegador. A diferença é que o Aion adicionava uma camada de IA agêntica — capaz de tomar iniciativas e executar sequências de ações — diretamente no núcleo do sistema.

O que aconteceu com o projeto

O vídeo vazado data de 2024, e desde então não há sinais de que o Project Aion tenha evoluído. Fontes do Windows Central indicam que o projeto pode ter sido um experimento interno, talvez um hackathon, e não um produto com planos reais de lançamento. Mudanças na liderança da Microsoft e a reação negativa do público a integrações agressivas do Copilot no Windows 11 contribuíram para que o projeto fosse engavetado.

Curiosamente, o nome Aion não morreu completamente. No Build 2026, a Microsoft anunciou o Aion 1.0 Instruct e o Aion 1.0 Plan, dois modelos de linguagem pequenos projetados para rodar localmente em dispositivos Windows. O Aion 1.0 Plan, em particular, é um modelo de 14 bilhões de parâmetros focado em raciocínio e chamada de ferramentas, com 32 mil tokens de contexto, projetado para orquestrar subagentes localmente.

Além disso, a Microsoft apresentou o Project Solara, uma plataforma para dispositivos onde agentes de IA são o principal modelo de interação. Diferente do Aion, o Solara é baseado em Android (AOSP) e tem planos concretos de pilotos com empresas como Best Buy, CVS Health e Levi’s. É possível que o Aion tenha evoluído ou influenciado o Solara, mas a Microsoft não confirmou essa relação.

Fontes: Windows Central — Zac Bowden, Neowin, gHacks, TechSpot, heise online