A Rocket Lab, empresa rival da SpaceX no setor de lançamentos espaciais, anunciou nesta segunda-feira (29) a aquisição da Iridium Communications, operadora de uma das maiores redes de satélites em órbita baixa do mundo. O negócio, avaliado em US$ 8 bilhões, combina dinheiro e ações e transforma a Rocket Lab em uma concorrente verticalmente integrada, capaz de fabricar, lançar e operar suas próprias constelações, exatamente o modelo que tornou a Starlink, da SpaceX, dominante no segmento.

Um atalho para competir no espaço
A transação dá à Rocket Lab acesso imediato a uma rede global com 80 satélites (66 operacionais e 14 de reserva) da Iridium, que oferece serviços de voz, dados, conectividade para Internet das Coisas (IoT) e posicionamento e navegação (PNT), uma alternativa comercial ao GPS. A Iridium também possui direitos de espectro em banda L, faixa de radiofrequência conhecida pela resiliência climática, ideal para comunicações em regiões remotas, operações marítimas e aplicações militares.
“Encontramos um atalho”, disse a Rocket Lab em apresentação a investidores. Construir uma rede de satélites do zero, obter licenças de espectro e formar uma base de clientes levaria anos e bilhões de dólares. Com a Iridium, a empresa ganha 2,55 milhões de assinantes ativos, majoritariamente nos segmentos governamental, de defesa, aviação, marítimo e comercial, e receita recorrente imediata.
A matemática do negócio
Pelo acordo, os acionistas da Iridium receberão US$ 27 em dinheiro mais ações da Rocket Lab, num valor combinado de US$ 54 por ação, um prêmio de 24,1% sobre o fechamento anterior. As ações da Iridium dispararam 25% com o anúncio, enquanto os papéis da Rocket Lab subiram quase 16%.
Para financiar a parcela em dinheiro, a Rocket Lab obteve um empréstimo-ponte de US$ 3,6 bilhões junto ao Deutsche Bank e ao Wells Fargo, além de usar recursos próprios. O fechamento está previsto para meados de 2027, sujeito à aprovação de acionistas e órgãos reguladores, como o FCC (Federal Communications Commission).
A Iridium foi fundada pela Motorola no fim dos anos 1980 e sobreviveu a uma falência espetacular em 1999, reinventando-se como fornecedora lucrativa de comunicações críticas. Em 2025, registrou receita de US$ 871,7 milhões e lucro líquido de US$ 114,4 milhões.
Consolidação do mercado espacial
O movimento da Rocket Lab ocorre em meio a uma intensa reorganização do setor. No início de junho, a SpaceX levantou cerca de US$ 86 bilhões no maior IPO da história. A Amazon adquiriu a Globalstar por US$ 11,5 bilhões em abril, e a SpaceX comprou a EchoStar por US$ 17 bilhões para acelerar seu serviço direto ao smartphone.
Todas essas mudanças, mesmo que ocorram no mercado global, têm impacto direto no cenário brasileiro de internet satélite no Brasil, especialmente para quem busca alternativas à Starlink e acompanha a consolidação do setor de perto.
Para a Rocket Lab, a peça central da estratégia é o Neutron, foguete reutilizável de média capacidade com primeiro voo previsto para o quarto trimestre de 2026. Com ele, a empresa poderá lançar e repor satélites da constelação Iridium sem depender de terceiros, internalizando custos e garantindo previsibilidade. “Este é um momento decisivo para a indústria espacial e o início de uma nova era de crescimento estratégico para a Rocket Lab e a Iridium”, afirmou Peter Beck, fundador e CEO da Rocket Lab.
Fonte: Ars Technica




