A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou, em 2 de julho de 2026, a destinação de faixas de radiofrequência para a comunicação direta entre satélites e celulares no Brasil. A decisão abre caminho para que a Starlink, da SpaceX, ofereça conexão via satélite diretamente em smartphones compatíveis, sem a necessidade de antenas externas. O serviço ainda não está disponível para o consumidor.

Como funciona a tecnologia D2D
A tecnologia Direct-to-Device (D2D) transforma os satélites em uma extensão da rede móvel. Em vez de depender de antenas instaladas no solo, o celular compatível troca informações diretamente com satélites em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros de altitude. O satélite funciona como uma torre de celular no espaço, usando as mesmas frequências das operadoras terrestres.
A Anatel autorizou o uso das faixas de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz. Essas frequências continuam sendo usadas pelas redes móveis tradicionais e, em paralelo, servem para a comunicação entre satélites e smartphones.
Serviço depende de parceria com operadoras
A regulamentação aprovada pela Anatel exige que empresas de satélite operem em parceria com operadoras de telefonia que já possuem licença nessas faixas. A Starlink não pode oferecer o serviço isoladamente. O satélite atua como complemento da rede terrestre, ampliando a cobertura para áreas remotas, rurais, estradas e locais sem infraestrutura de telefonia.
Nenhuma operadora brasileira firmou acordo com a Starlink até o momento. Claro e TIM conduzem testes com concorrentes como AST SpaceMobile e Lynk. A SpaceX também solicitou uma licença de Serviço Móvel Pessoal (SMP) junto à Anatel, o que permitiria oferecer o serviço diretamente ao consumidor, sem depender de operadoras locais.
Quando chega e quanto vai custar
A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação da Anatel tem 90 dias para elaborar as especificações técnicas do serviço. Depois dessa etapa, serão necessários testes, homologação de aparelhos e acordos comerciais antes do início da oferta. Não há data oficial para o lançamento.
A expectativa do setor é que, em uma fase inicial, a conectividade via satélite seja incluída nos planos das operadoras parceiras sem cobrança adicional. Nos Estados Unidos, a T-Mobile oferece o serviço desde julho de 2025, começando por mensagens de texto e evoluindo para voz e dados. A Starlink tem mais de 650 satélites D2D em órbita e opera em 22 países. No Brasil, o serviço deve começar de forma limitada, com mensagens e alertas de emergência, e evoluir para chamadas e acesso à internet em etapas posteriores.




