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Xi Jinping quer sistemas de emergência para controlar IA

O presidente da China, Xi Jinping, usou a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) de 2026, em Xangai, para fazer sua declaração mais contundente até hoje sobre os rumos da governança global de IA. Em discurso no dia 17 de julho, Xi defendeu a criação de sistemas de monitoramento tecnológico, alerta precoce e resposta a emergências para impedir que a inteligência artificial saia do controle humano e aproveitou para criticar indiretamente as restrições dos Estados Unidos ao setor.

Xi Jinping
Imagem gerada por IA com Magnific

Foi a primeira vez que Xi Jinping participou pessoalmente da WAIC, evento que neste ano reuniu mais de mil empresas chinesas e representantes de dezenas de países. O discurso, intitulado “Construir em conjunto um sistema global de governança da IA justo e razoável”, apresentou quatro observações sobre o futuro da tecnologia.

Os quatro pilares da proposta chinesa

Xi estruturou sua fala em quatro eixos: abertura e cooperação, segurança e controle, inclusão civilizacional e governança global. O ponto que mais atraiu a atenção da imprensa internacional foi o segundo, no qual o líder chinês pediu a criação de mecanismos concretos de supervisão.

“Devemos levar a sério os vários tipos de riscos inerentes e secundários que a IA pode desencadear”, afirmou Xi. “Devemos estabelecer leis e regulamentos, monitoramento tecnológico, alerta precoce e sistemas de resposta a emergências, a fim de fortalecer a linha de segurança, prevenir abusos e uso malicioso, e garantir que a IA esteja sempre sob controle humano.”

A fala de Xi se alinha com o movimento regulatório que a China vem construindo nos últimos anos. O país ainda não tem uma lei nacional de IA (a previsão mais recente é 2027), mas já conta com um conjunto de regras setoriais que cobrem algoritmos de recomendação (2022), deepfakes (2023), IA generativa (2023), rotulagem de conteúdo (2025) e revisão ética obrigatória (2026). O país ainda não tem uma lei nacional de IA (a previsão mais recente é 2027), mas já conta com um conjunto de regras setoriais que cobrem algoritmos de recomendação (2022), deepfakes (2023), IA generativa (2023), rotulagem de conteúdo (2025) e revisão ética obrigatória (2026).

O recado para os Estados Unidos

O terceiro ponto do discurso de Xi continha uma mensagem clara para Washington. “Devemos nos opor conjuntamente à interpretação excessiva do conceito de segurança nacional no campo da IA e a colocar a segurança de um país acima da dos outros”, disse o presidente chinês.

A declaração é uma referência direta às restrições de exportação impostas pelo governo Trump ao modelo Mythos 5 da Anthropic em junho de 2026. Os EUA exigiram que a empresa americana suspendesse o acesso de qualquer cidadão não americano ao modelo, sob a justificativa de que um grupo ligado à China teria acessado a tecnologia. A Anthropic respondeu removendo o acesso globalmente. As restrições foram suspensas em 30 de junho após um acordo com o Departamento de Comércio, mas o episódio deixou marcas na confiança de parceiros internacionais.

Xi também anunciou que a China disponibilizará 5 mil oportunidades de treinamento em IA para países em desenvolvimento nos próximos cinco anos e concederá a 30 nações acesso ao MAZU, sistema meteorológico baseado em IA com capacidade de alerta precoce.

WAICO: a nova aliança global de IA

Na véspera do discurso, em 16 de julho, 29 países assinaram em Xangai o acordo de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês). O Brasil está entre os fundadores, ao lado de Rússia, Indonésia, Paquistão, África do Sul, Cuba, Venezuela e outras nações do Sul Global. Os Estados Unidos, a União Europeia e países como Japão e Coreia do Sul não aderiram.

A WAICO é uma organização intergovernamental independente com sede em Xangai. Seus objetivos incluem promover a cooperação internacional em IA, reduzir as desigualdades de acesso à tecnologia e estabelecer padrões globais de governança. A proposta foi anunciada pelo primeiro-ministro chinês Li Qiang em julho de 2025 e oficializada um ano depois com a assinatura do acordo constitutivo.

O anúncio ocorre em um momento de polarização crescente na governança global de IA. De um lado, os EUA lideram a iniciativa Pax Silica, que reúne 35 países com foco em cadeias de suprimento seguras. De outro, a China propõe na WAICO uma alternativa com adesão mais ampla e agenda centrada no desenvolvimento do Sul Global. Segundo a imprensa internacional, apenas o Cazaquistão aparece nas duas listas de membros.

Segundo análise do Brookings Institution, a decisão de Trump de restringir o Mythos com base em nacionalidade, sem exceções para aliados, gerou desconfiança internacional e acelerou a busca por soberania digital fora dos EUA.

Xi também anunciou o desenvolvimento de centros de cooperação internacional em IA com a ASEAN, a Liga Árabe, a União Africana, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Organização de Cooperação de Xangai e o BRICS. As indústrias centrais de IA da China movimentaram pelo menos 1 trilhão de yuans (cerca de US$ 147 bilhões) em 2025, segundo Xi, e Xi afirmou que a manufatura inteligente se tornou “outra marca brilhante da modernização chinesa”.

Fontes: The Register – Chinese President Xi Jinping wants emergency response systems to keep AI in check, Xinhua – Full text: Keynote speech by Xi Jinping at 2026 WAIC, Al Jazeera – China’s Xi Jinping launches new AI alliance, Mobile Time – Brasil, China e 27 países criam grupo global de IA, Exame – Brasil e outros 28 países assinam acordo para criação de órgão global de cooperação em IA, Folha de S.Paulo – Xi adverte que IA não deve ser dominada por um único país, Brookings – The Trump administration’s embargo on Anthropic’s latest models.