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Anthropic restaura acesso ao Claude Fable 5 globalmente

A Anthropic começou a restaurar o acesso ao Claude Fable 5 nesta quarta-feira (1o de julho) para usuários em todo o mundo, encerrando um período de 19 dias em que o modelo mais avançado da empresa ficou fora do ar por ordem do governo dos Estados Unidos. O Departamento de Comercio dos EUA suspendeu os controles de exportação que haviam sido impostos em 12 de junho, depois que a empresa apresentou novas salvaguardas de segurança aprovadas pelo governo.

Fable 5
Imagem gerada por IA com Google Nano Banana 2 Flash

O Fable 5 volta disponível no Claude.ai, na plataforma Claude, no Claude Code e no Claude Cowork. Para assinantes dos planos Pro, Max, Team e Enterprise selecionados, o modelo sera incluído em até 50% dos limites semanais de uso até 7 de julho; depois disso, passará a ser cobrado por créditos de uso. O reativação em AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry ainda não tem data confirmada.

O que levou a suspensao

Em 12 de junho, o Departamento de Comercio emitiu uma ordem de controle de exportação determinando que a Anthropic suspendesse o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para qualquer estrangeiro, dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo os próprios funcionários não-americanos da empresa. O gatilho foi um relatório dos pesquisadores da Amazon, que encontraram uma forma de burlar as salvaguardas do Fable 5: um jailbreak que fazia o modelo identificar vulnerabilidades de software e, em um caso, produzir código demonstrando como explorá-las.

A ordem pegou a Anthropic sem preparo. A empresa não dispõe de infraestrutura para verificar a nacionalidade de cada usuário em tempo real em escala comercial. Sem como distinguir cidadãos americanos de estrangeiros, a única saída legalmente segura foi desligar os dois modelos para todos os usuários do mundo, inclusive cidadãos americanos e empresas com contratos ativos.

A Anthropic discordou publicamente da gravidade do achado. Em testes próprios, a empresa constatou que modelos menos capazes, incluindo o próprio Claude Opus 4.8, o GPT-5.5 da OpenAI é o Kimi K2.7, conseguiam identificar as mesmas vulnerabilidades. Quanto ao código de exploração, todos os modelos testados produziam saída similar, incluindo Claude Haiku 4.5, Sonnet 4.6, Opus 4.6, Opus 4.7, Opus 4.8, GPT-5.4, GPT-5.5 e Kimi K2.7. Para a Anthropic, o jailbreak não revelou nenhuma capacidade única dos modelos da classe Mythos: foi um caso limite nas salvaguardas do Fable 5.

Estrangeiros podem usar?

Uma das maiores polêmicas do episódio foi o alcance da ordem: ela barrava estrangeiros mesmo dentro de empresas americanas selecionadas e até mesmo os funcionários não-americanos da própria Anthropic. O pesquisador Andrej Karpathy, contratado pela Anthropic em maio para o time de pré-treinamento, nasceu na Eslovaquia e tem cidadania canadense; durante a suspensao, ele ficou impedido de acessar os próprios modelos que ajudava a desenvolver.

Com o fim dos controles de exportação em 30 de junho, o Fable 5 voltou a estar disponível globalmente sem restrição de nacionalidade. Qualquer usuário, de qualquer pais, pode acessá-lo, desde que tenha uma conta nós planos pagos da Anthropic.

Já o Mythos 5, a versão do mesmo modelo com menos salvaguardas de segurança, teve um caminho diferente. Em 26 de junho, o secretário de Comercio Howard Lutnick autorizou o retorno do Mythos 5 para cerca de 100 organizacoes americanas que operam e defendem infraestrutura critica, incluindo agências governamentais, empresas de tecnologia e instituições financeiras como Cisco e JPMorgan Chase. A carta de Lutnick explicitamente permitiu que funcionários não-americanos dessas organizacoes aprovadas, e os funcionários estrangeiros da própria Anthropic voltassem a usar o modelo. A ampliação do acesso para parceiros internacionais do Project Glasswing ainda está em negociação.

O que mudou no Fable 5

O modelo em si, os pesos da rede neural é o mesmo. O que mudou foi o sistema de segurança que fica na frente dele. A Anthropic treinou um novo classificador projetado especificamente para bloquear a técnica de jailbreak descoberta pela Amazon. Segundo a empresa, o novo classificador bloqueia a técnica específica em mais de 99% dos casos, é a eficácia foi confirmada em testes independentes do Center for AI Standards and Innovation (CAISI), ligado ao Departamento de Comercio.

O funcionamento é o seguinte: o Fable 5 usa classificadores de segurança: sistemas de IA menores que monitoram cada requisição antes dela chegar ao modelo principal. Quando um request aciona um classificador (cobrindo cibersegurança ofensiva, biologia, química e destilação de modelos), o Fable 5 não responde diretamente. Em vez disso, a requisição e redirecionada para o Claude Opus 4.8, é o usuário recebe uma notificação do ocorrido.

A novidade e que o novo classificador é mais conservador que o anterior. Isso significa que tarefas rotineiras de programação e depuração, que antes passavam sem problema, agora podem ser bloqueadas com mais frequência, caindo como falso positivo no Opus 4.8. A Anthropic reconhece o custo e afirma que continuará refinando o sistema para reduzir os alarmes falsos nas próximas semanas.

O Mythos 5, que compartilha os mesmos pesos do Fable 5 mas roda sem esses classificadores de segurança, continua restrito as organizacoes aprovadas pelo governo americano. A Anthropic também anunciou que está desenvolvendo, em parceria com Amazon, Microsoft e Google, um framework compartilhado para classificar a gravidade de jailbreaks, um padrão que o setor de IA ainda não tem.

O episódio deixou uma lição prática para empresas que dependem de modelos de fronteira: o acesso a IA avancada pode ser cortado da noite para o dia por decisões regulatórias, não apenas por falhas técnicas. A verificação de identidade e nacionalidade, que antes parecia um problema de compliance menor, tornou-se uma questao central de infraestrutura para quem opera modelos de alto impacto.

Fontes: Anthropic, Redeploying Fable 5, TechTimes, CX Today, The Verge, ExplainX