Autoridades educacionais ao redor do mundo estão em alerta com o uso de óculos inteligentes equipados com inteligência artificial para colar em provas. O fenômeno, que já foi registrado na China, Coreia do Sul, Reino Unido e Taiwan, levou governos a endurecerem a fiscalização, enquanto os dispositivos ficam cada vez mais finos, discretos e difíceis de detectar.

China na linha de frente
No Gaokao, o exame nacional de ingresso na universidade considerado um dos mais difíceis do mundo, as autoridades chinesas exigiram a inspeção de todos os óculos dos 12,9 milhões de candidatos inscritos em 2026. Províncias como Guangdong, Xangai e Mongólia Interior adotaram medidas rigorosas: os estudantes precisam retirar os óculos durante a revista e colocá-los sobre uma mesa para inspeção dos fiscais, tudo sob vigilância por vídeo.
O Ministério da Educação chinês classificou como fraude o porte de qualquer dispositivo capaz de transmitir ou receber informações, incluindo óculos inteligentes, celulares e smartwatches, mesmo que o aparelho não seja usado durante a prova. “Não destrua seu futuro por um momento de descuido”, alertou o ministério em comunicado.
Casos na Coreia, Taiwan e Reino Unido
Na Coreia do Sul, dois candidatos foram flagrados usando óculos com IA durante o exame TOEIC em maio. Os dois tiveram as notas canceladas e foram proibidos de fazer o teste por quatro anos. Foi o primeiro caso do tipo registrado no país, ocorrido semanas após o lançamento dos óculos Ray-Ban Meta na região.
Em Taiwan, um estudante foi pego durante o vestibular de medicina depois que fiscais notaram movimentos oculares suspeitos. Ao se aproximarem, perceberam que os óculos estavam aquecendo, sinal de que o dispositivo estava em operação. A universidade onde o caso ocorreu está revisando seus protocolos de fiscalização.
No Reino Unido, o chefe do órgão regulador de exames, Sir Ian Bauckham, alertou que óculos com display embutido nos olhos e pontos escondidos representam uma ameaça crescente à integridade das provas de GCSE e A-level. “No pior dos casos, eles podem perder todas as notas. É algo que altera o futuro deles”, disse em entrevista à BBC.
Tecnologia cada vez mais sofisticada
Um experimento conduzido pelo professor Meng Zili, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST), mostrou que óculos comerciais com IA conseguem transmitir as questões da prova para um modelo de linguagem e exibir as respostas diretamente nas lentes, tudo de forma imperceptível. O desempenho com o dispositivo colocou o usuário entre os cinco melhores de uma turma com mais de 100 alunos, superando a média da sala de 72 pontos.
O caso acende um debate mais amplo: com a capacidade da inteligência artificial avançando rapidamente e os dispositivos ficando mais finos e discretos, faz sentido seguir testando memorização em vez de repensar o formato das avaliações?
No Brasil, a discussão também já começou. Um projeto de lei em tramitação na Câmara tenta estabelecer a regulamentação de óculos inteligentes em território nacional, incluindo medidas para coibir fraudes em exames.
Ah, e imagina se essa moda pega no Brasil?
Fonte: Slashdot




