A Mozilla começou a liberar um bloqueador de anúncios nativo para o Firefox no iPhone e no iPad. O recurso é experimental, vem desativado por padrão e chega aos poucos aos usuários, conforme a página de suporte oficial do navegador. A novidade coloca o Firefox em um terreno que, no iOS, era ocupado por extensões de terceiros.

Na prática, o bloqueio acontece na origem. Em vez de esconder a propaganda depois que ela carrega, o navegador compara cada requisição com uma lista de filtros baseada no EasyList e impede o download antes de o anúncio aparecer na tela. Ficam na mira as redes de publicidade de terceiros, os rastreadores ligados a anúncios, os banners servidos pelos sites e os formatos intrusivos, como pop-ups e sobreposições de vídeo.
Bloqueio embutido, sem extensão
O recurso entra na mesma área dos bloqueadores clássicos, como o AdBlock Plus, mas sem depender de complementos. No iOS, a Apple limita os navegadores de terceiros, e o Safari só corta propaganda com bloqueadores de conteúdo instalados à parte. Com o filtro nativo, o Firefox passa a oferecer essa proteção de fábrica, algo que no ecossistema da Apple só a Brave fazia de forma integrada.
Nem tudo some da tela. Os anúncios exibidos nos resultados de busca, como os do Google, do Bing e do DuckDuckGo, continuam no ar com o filtro ligado. A Mozilla também preserva o conteúdo patrocinado que ela mesma exibe na tela inicial e nas novas abas, uma receita que ajuda a bancar o projeto, e não oferece uma forma de contornar essa exceção nas configurações. A decisão de poupar as buscas chamou a atenção do The Register, já que parte relevante da receita da fundação vem de acordos com o Google.
Existe ainda uma brecha técnica. Em nota, a empresa afirma que alguns sites entregam publicidade de formas que a lista de filtros atual não cobre, então parte dos anúncios escapa do bloqueio. Testes do site PiunikaWeb indicam que comerciais em vídeo, como os do YouTube, também passam por enquanto.
O que o recurso deixa passar
Para ligar o recurso, é preciso atualizar o Firefox e procurar a opção nas Configurações, na área de navegação; lá dentro, o botão Ad Blocker aparece na seção de conteúdo. Também dá para alternar o filtro pelo menu do site durante a navegação, e dois ícones de escudo mostram o estado da proteção: verde quando ativo, laranja quando desligado. A própria Mozilla avisa que, se um site quebrar depois da ativação, é só desligar o filtro.
No Brasil, a novidade chega em boa hora. No desktop, Chrome e Edge desativam aos poucos o Manifest V2, formato de extensões que sustenta o uBlock Origin, e o Firefox virou alternativa para quem não abre mão do bloqueio clássico. No iPhone, o filtro embutido elimina a dependência de apps de bloqueio à parte, em muitos casos pagos, e aproxima o navegador da proposta que a Brave já oferece há anos.
A liberação é gradual, e a Mozilla não informou quando o filtro chega a todos os usuários. Quem ainda não vê a opção nas configurações deve aguardar as próximas atualizações do aplicativo pela App Store.
Fonte: Suporte da Mozilla | The Register | PCMag




