A Meta recuou. Três dias depois de lançar o Muse Image, um gerador de imagens por IA que usava fotos de contas públicas do Instagram sem avisar os donos, a empresa desativou o recurso. A decisão veio após uma enxurrada de críticas de usuários, do sindicato de atores SAG-AFTRA e de agências de talento como a CAA, que representa nomes como Tom Hanks e Meryl Streep.

O que era o Muse Image
Lançado na terça-feira (7 de julho), o Muse Image foi desenvolvido pelo Meta Superintelligence Labs, a unidade de IA da empresa. A novidade permitia que qualquer pessoa gerasse imagens personalizadas pelo Meta AI simplesmente mencionando um perfil público do Instagram com o símbolo @. O sistema então usava as fotos da conta mencionada como referência visual para criar a nova imagem.
O recurso vinha ativado por padrão para todos os perfis públicos de maiores de 18 anos. O dono das fotos não era notificado quando sua imagem era usada. E as imagens geradas não eram deletadas mesmo se a pessoa mudasse as configurações depois. Para evitar o uso, era preciso entrar nas configurações do aplicativo e desmarcar a opção manualmente.
A reação foi imediata
A reação não demorou. A SAG-AFTRA publicou instruções para os membros desativarem o recurso e disse: “Tomem uma atitude para proteger sua imagem”. A CAA emitiu um comunicado contundente: “Ninguém: nome, imagem, semelhança, voz ou trabalho criativo: deve ser usado por terceiros, incluindo modelos de IA, sem consentimento claro e documentado.”
Haley McNamara, diretora executiva do National Center on Sexual Exploitation, foi direta: “Isso não só erode nossos direitos sobre nossa própria imagem, mas é uma ferramenta óbvia para sextorsão e outros golpes.”
O recuo da Meta
Na sexta-feira (10 de julho), a Meta publicou uma atualização em seu blog anunciando a remoção do recurso. “Nossa intenção era fornecer uma ferramenta criativa útil e dar às pessoas controle sobre se seu conteúdo público poderia ser referenciado . Recebemos o feedback de que esse recurso não atingiu o objetivo, então ele não está mais disponível”, disse a empresa.
A CAA elogiou a decisão: “Colocar os direitos individuais e o consentimento em primeiro lugar é essencial para construir tecnologia responsável.” O sindicato SAG-AFTRA também celebrou: “Com os perigos das réplicas digitais não consensuais bem conhecidos, um recurso que incentivava esse comportamento era imprudente. Agradecemos sua descontinuação.”
O movimento da Meta ocorre em um momento de tensão crescente em torno do uso de dados pessoais por IA. Na mesma sexta-feira, a Apple processou a OpenAI em um tribunal federal, acusando a criadora do ChatGPT de roubo de segredos comerciais.
Fontes: TechCrunch: Meta removes controversial AI feature on Instagram, The Verge: Meta turns off Instagram feature that let users make AI deepfakes, Variety: Meta Suspends Instagram AI Image Feature




