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Microsoft apaga guia que recomendava 32GB de RAM no Windows 11

A Microsoft removeu silenciosamente dois artigos do Windows Learning Center que recomendavam 32GB de RAM como configuração ideal para jogadores no Windows 11. As páginas, que antes sugeriam 16GB como ponto de partida e 32GB como a faixa “sem preocupações” para gamers, agora redirecionam para a página inicial do centro de aprendizado. A informação foi publicada pelo Windows Latest, que primeiro detectou as remoções.

Pinguim passando pano com rodo em sala moderna
Gerada com Magnific

O que foi removido

O primeiro documento, intitulado “How to optimize your gaming PC setup”, foi publicado em 28 de novembro de 2025. Nele, a Microsoft afirmava que 16GB de RAM era suficiente para a maioria dos jogadores, mas 32GB era o ideal para “jogadores sérios” que rodam títulos pesados ou usam mods. O artigo também promovia os PCs Copilot+ como o caminho mais fácil para chegar a essa configuração.

O segundo documento, removido ainda em maio de 2026, chamava 32GB de “upgrade sem preocupações” para jogos no Windows 11. A reação da comunidade foi imediata: jogadores apontaram o absurdo de recomendar 32GB num momento em que os preços da memória disparavam. Dias depois, a Microsoft apagou o artigo e bloqueou o Wayback Machine (Internet Archive) de preservar o conteúdo original, conforme registrou o Windows Latest.

O contexto do “RAMaggedon

O mercado de memória RAM vive uma crise apelidada de “RAMaggedon”. Dados da Deloitte mostram que a demanda por IA fez os preços de DRAM para servidores dobrarem no primeiro trimestre de 2026, com projeção de quadruplicar no ano. O motivo é estrutural: Samsung, SK Hynix e Micron desviaram capacidade de produção de DDR convencional para HBM (High Bandwidth Memory), usada em aceleradores de IA. HBM gera três a cinco vezes mais receita por wafer.

O resultado para o consumidor? Um kit de 32GB de DDR4 custa mais de US$ 250. 32GB de DDR5 passa dos US$ 400, segundo a PCWorld. A IDC projeta queda de 11,3% nas vendas de PCs em 2026, com a memória escassa e cara como principal causa.

No Brasil, a situação é ainda mais grave. Com o dólar pressionado e os impostos sobre importados, um kit de 32GB de DDR5 que custa US$ 400 no mercado internacional chega ao consumidor brasileiro por mais de R$ 5 mil. É o reflexo de um mercado que vendeu menos da metade das unidades de memória RAM no primeiro trimestre de 2026 comparado ao ano anterior, mas faturou 82% mais — tudo por causa do aumento de preço, segundo a Context. O brasileiro paga caro por uma memória que a própria Microsoft, ironicamente, parou de recomendar.

Surface com 8GB: a contradição da Microsoft

Enquanto apaga as recomendações de 32GB, a Microsoft lançou em junho versões de entrada do Surface Pro e Surface Laptop com apenas 8GB de RAM soldada – sem possibilidade de upgrade. O Surface Laptop 13 de 2026 custa US$ 949,99 e traz 8GB de memória LPDDR5X, 256GB de armazenamento e processador Snapdragon X Plus. O problema é que o preço é US$ 50 maior que o modelo de 2025, que vinha com 16GB.

O The Verge testou o aparelho e constatou o óbvio: 8GB não é suficiente para o Windows 11 em 2026. Após uma reinicialização limpa, o sistema já consumia 4,2GB de RAM. Durante uso normal com Chrome, Slack e Signal abertos, o uso chegava a 6,7GB dos 7,6GB disponíveis. O notebook travou por vários segundos durante uma chamada no Teams, e congelamentos temporários ocorriam várias vezes ao dia mesmo em tarefas simples como editar documentos no Google Docs.

Microsoft promete otimizar o Windows 11

Em 31 de julho, a Microsoft anunciou que a otimização de memória para PCs com 8GB ou mais será uma das prioridades do projeto Windows K2. Pavan Davuluri, vice-presidente executivo de Windows e Dispositivos, afirmou que a empresa está “reduzindo a pegada de memória do Windows para oferecer uma experiência rápida e responsável nos PCs que os clientes usam todos os dias”. As melhorias incluem um alocador de memória mais eficiente, otimizações no WinUI 3 e redução de consumo nos componentes Chromium e WebView2 integrados ao sistema.

A meta é entregar as melhorias até o fim de 2026. Até lá, a recomendação não oficial para quem quer um Windows 11 responsivo continua sendo 16GB – e 32GB para quem não quer se preocupar. A diferença é que a Microsoft não escreve mais isso em lugar nenhum.

Gabriel Subtil, analista de TI aqui do Tambotech, avalia que a Microsoft erra ao empurrar recursos de IA que consomem memória e processamento sem dar ao usuário a opção de desativá-los. “O Windows 11, com todos os penduricalhos de IA que a Microsoft insiste em incluir, deveria ter no mínimo 16GB de RAM só para o sistema operacional. Para trabalhar com fluidez, desempenho e produtividade usando internet e aplicativos modernos, 32GB é o mínimo recomendado”, afirma. Para ele, não faz sentido a Microsoft cobrar caro por hardware com 8GB soldado enquanto o próprio sistema incha com processos de IA que o usuário não pode desligar.

Fonte: Windows Latest | PCWorld | The Verge