Como noticiado aqui no Tambotech, a Starlink conseguiu a aprovacao da Anatel para operar a tecnologia D2D (Direct-to-Device) no Brasil. Mas como vai funcionar na pratica? Quais celulares vao ser compatíveis? A internet vai ser igual a que você usa hoje? Este artigo responde essas e outras duvidas com base no que já acontece em países onde o serviço está ativo.

Como a conexão funciona
O satelite da Starlink funciona como uma torre de celular no espaço. Ele órbita a cerca de 550 quilometros de altitude e se conecta diretamente ao smartphone usando as mesmas frequencias das operadoras terrestres. O celular não sabe que está falando com um satelite: para ele, é mais uma torre, só que muito acima.
Quando o telefone perde o sinal da operadora terrestre, ele se conecta automaticamente ao satelite mais próximo. O usuário não precisa apontar o aparelho para o céu, abrir um app ou mudar configurações. A conexão acontece sozinha, desde que o aparelho tenha visão livre do céu. Dentro de predios ou embaixo de cobertura densa, o sinal satelital é fraco e pode não funcionar.
Internet de emergência ou internet normal
A conexão via satelite não substitui a rede terrestre. Ela é uma camada complementar, projetada para áreas onde não há torres de celular. Nas cidades, o telefone continua conectado à rede 4G ou 5G da operadora, que é mais rapida e estável.
Nos Estados Unidos, onde o serviço já opera com a T-Mobile desde julho de 2025, a velocidade atual é dé aproximadamente 4 Mbps por usuário. Isso basta para mensagens de texto, compartilhamento de localizacao, chamadas via WhatsApp em baixa resolução e aplicativos selecionados como Google Maps e previsão do tempo. Streaming de vídeo, downloads grandes e jogos online não são o foco desta primeira geração.
A SpaceX planeja lançar satelites de segunda geração em 2027, com potencial para atingir até 150 Mbps por usuário. Se confirmado, o serviço deixa de ser apenas uma rede de emergência e passa a competir com conexões de banda larga em áreas remotas.
Quais celulares são compatíveis
O serviço foi projetado para funcionar com qualquer smartphone que suporte 4G LTE. não é preciso comprar um aparelho satelital específico. Nos Estados Unidos, a T-Mobile mantém uma lista de cerca de 60 modelos certificados, incluindo iPhone 13 ou mais novo, Samsung Galaxy S21 ou mais novo, Motorola da linha Moto G e Edge de 2024 em diante, e Google Pixel 9.
No Brasil, a compatibilidade vai depender da homologacao da Anatel e dos acordos com as operadoras locais. Celulares antigos, anteriores a 2021, provavelmente não terao suporte no lançamento.
Precisa de dois chips ou trocar de operadora
não. A conexão via satelite e roteada pela sua operadora terrestre. Se a Vivo, Claro ou TIM fechar acordo com a Starlink, o recurso sera ativado no seu plano existente, sem trocar de chip ou contratar outro serviço.
Nos Estados Unidos, a T-Mobile inclui o recurso em seus planos premium sem custo extra. Clientes de outras operadoras, como AT&T e Verizon, podem usar o serviço pagando um adicional mensal. Para isso, precisam de um celular desbloqueado com slot de eSIM livre. A T-Mobile instala um eSIM virtual no aparelho, que ativa a conexão satelital quando a rede terrestre desaparece.
É possível usar duas operadoras no mesmo celular se o aparelho tiver dual SIM (um chip fisico e um eSIM, ou dois eSIMs). Mas a conexão satelital só funciona se a operadora parceira da Starlink estiver ativa no aparelho.
Vai funcionar em todo o território nacional
A cobertura satelital cobre todo o território brasileiro, incluindo áreas remotas, florestas, estradas e regiões de fronteira. Como os satelites estão em órbita baixa, é necessario que existam aparelhos suficientes no espaço para garantir que sempre haja um satelite visível. A Starlink já tem mais de 650 satelites D2D em órbita e opera em 22 países.
A limitacao não é geografica, mas fisica: o sinal não atravessa paredes, tetos ou vegetacao densa. Em áreas urbanas, a rede terrestre continua sendo a prioridade. O satelite entra em cena apenas onde a torre não chega.
A Anatel tem 90 dias para definir as especificações técnicas do serviço no Brasil. Depois disso, as operadoras precisam fechar acordos comerciais, homologar aparelhos e concluir testes antes do lançamento oficial. A expectativa do setor é que o serviço comece de forma gratuita nos planos existentes, evoluindo para pacotes específicos conforme a tecnologia amadurece.




