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Com 1 milhão de clientes, Brasil é o segundo maior mercado global de internet via satélite

O Brasil acaba de assumir a vice-liderança mundial no mercado de internet via satélite. A Starlink, operadora da SpaceX, atingiu 1 milhão de assinantes ativos no país, consolidando o Brasil como o segundo maior mercado da empresa, atrás apenas dos Estados Unidos. Os dados foram confirmados pelo vice-presidente de engenharia da Starlink, Michael Nicolls, e pela Ookla, dona do Speedtest Intelligence.

Starlink
Imagem gerada por IA com Google Nano Banana 2 Flash

O salto da Starlink no Brasil

A base brasileira da Starlink saltou de cerca de 600 mil acessos em outubro de 2025 para 1 milhão em janeiro de 2026, um crescimento de 67% em apenas três meses. Globalmente, a constelação de satélites de órbita baixa (LEO) da SpaceX já soma 9,2 milhões de usuários e quase 10 mil satélites ativos desde o início das operações comerciais, há cerca de cinco anos.

Segundo a Ookla, a Starlink concentrou 97,1% de todas as medições globais de internet via satélite no terceiro trimestre de 2025. A Viasat apareceu em segundo lugar, com 1,7%, e a HughesNet em terceiro, com 1%. No Brasil, as velocidades medianas de download e upload da Starlink apresentaram crescimento consistente, enquanto as concorrentes tradicionais entregam velocidades cerca de três vezes menores e latência entre 600 e 800 milissegundos.

Por que o Brasil é o segundo maior mercado

O tamanho do território brasileiro e a desigualdade na infraestrutura de conectividade ajudam a explicar o fenômeno. A Starlink se tornou a principal operadora de banda larga em municípios onde mais de 75% da população vive fora da área urbana, segundo levantamento do Poder360 com dados da Anatel. A empresa soma 8.731 acessos nessas localidades, o equivalente a 12,8% do total de conexões nesses territórios.

Dois fatores recentes aceleraram ainda mais a expansão. A Starlink passou a aceitar pagamentos via Pix, o principal meio de pagamento digital do Brasil, e liberou regiões que estavam esgotadas em áreas urbanas densas como Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo. A empresa também contratou Paulo Esperandio, ex-CMO da TIM, como diretor de desenvolvimento de negócios da SpaceX no Brasil, e abriu um canal de vendas oficial no WhatsApp.

O que esperar dos próximos anos

A Starlink planeja lançar, a partir de 2026, a nova geração de satélites V3, com capacidade de download até dez vezes maior e de upload até 24 vezes superior à geração anterior. A expansão depende do desenvolvimento do foguete reutilizável Starship, projetado para transportar cargas maiores ao espaço. A empresa também já pediu autorização à Anatel para lançar a internet via satélite direto no celular (Direct to Device) em 2027.

Enquanto isso, a concorrência se prepara. A Amazon está lançando o Projeto Kuiper, que usará o chip Prometheus e integração nativa com a AWS, com planos vendidos pela Sky no Brasil. A chinesa SpaceSail também anunciou que vai concorrer com a Starlink no país ainda em 2026. A disputa promete aquecer o mercado e, para o consumidor, deve significar mais opções e preços mais competitivos.

A SpaceX se prepara para sua oferta inicial de ações (IPO), que deve resultar numa capitalização entre US$ 50 bilhões e US$ 75 bilhões. Parte dos recursos irá para a expansão da Starlink, que hoje tem o Brasil como um de seus pilares de crescimento global.

Fontes: DPL News, TELETIME, Convergência digital