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Nvidia recua de US$ 250 bi para US$ 105 bi em projeto da OpenAI

A Nvidia reduziu o compromisso financeiro com o mega data center que a OpenAI vai alugar em Ohio, nos Estados Unidos. O valor caiu de US$ 250 bilhões para até US$ 105 bilhões, conforme documentos enviados à SEC na segunda-feira (17) e noticiados pela CNBC e pela Reuters. A queda é de 58% em relação ao plano original, revelado pelo The Wall Street Journal em julho.

Robô vilão com carrinho cheio de dinheiro
Imagem gerada usando o Magnific

O complexo PORTS-Pike fica no condado de Pike, ao sul de Cincinnati, e é desenvolvido pela SB Energy, empresa de infraestrutura ligada ao SoftBank. A OpenAI vai arrendar o campus por 20 anos, com capacidade planejada de 10 gigawatts, o que o tornaria o maior data center já anunciado no mundo. Seria também o primeiro data center alugado diretamente pela criadora do ChatGPT, que hoje depende das nuvens de Microsoft e Amazon. A OpenAI estima 35 mil empregos na construção até 2032 e 2,5 mil vagas permanentes no complexo.

O financiamento cobre a fase inicial de 4,25 gigawatts de computação, com opção de mais 3,75 gigawatts, e a Nvidia será a fornecedora exclusiva do hardware. A fabricante também vai investir US$ 1,5 bilhão na SB Energy, empresa que tem a OpenAI entre os sócios e Sam Altman entre os primeiros investidores. “Estamos garantindo infraestrutura de longa duração para a computação da Nvidia, para que a OpenAI possa implantar as fábricas de IA mais produtivas”, disse o CEO Jensen Huang. A capacidade entra em operação em fases, a partir de 2028.

Por que a Nvidia recuou

O recuo atende à pressão dos investidores. Quando o plano de US$ 250 bilhões veio a público, em julho, as ações da Nvidia caíram 5% em um único dia. O mercado temia que a empresa ficasse exposta demais em uma operação circular: ela financia o cliente que compra os próprios processadores, e esse tipo de engenharia financeira alimenta o temor de bolha no setor de IA.

A Nvidia, porém, não abandonou a aposta em infraestrutura de IA. Na semana passada, fechou parceria com seis grandes gestoras, entre elas Apollo, BlackRock e KKR, para mobilizar US$ 500 bilhões em capital de terceiros para data centers, tirando o risco do próprio balanço. Em paralelo, negocia com a OpenAI um financiamento separado de até US$ 350 bilhões para a compra de chips. A dívida crescente do setor preocupa: em julho, o Tambotech mostrou que a dívida invisível de Big Techs com infraestrutura de IA superava US$ 1,65 trilhão, segundo a Nikkei.

O tamanho do projeto em números

A escala do empreendimento explica a reação do mercado. Os 10 gigawatts planejados, operando sem parar durante um ano, consumiriam cerca de 87,6 terawatts-hora, o equivalente a aproximadamente 11% de toda a eletricidade gerada pelo Brasil em 2025. Em reais, o compromisso reduzido da Nvidia representa cerca de R$ 546 bilhões, na cotação do dólar a R$ 5,20.

A conta energética também pesa. A SB Energy vai erguer no local uma usina termelétrica a gás de 9,2 gigawatts, orçada em US$ 33 bilhões, e o custo desse tipo de usina subiu 66% em dois anos, segundo a BloombergNEF. Para o Brasil, que tenta se firmar como polo de data centers de olho na energia renovável, o projeto mostra o tamanho do desafio: a eletricidade é o recurso mais disputado da inteligência artificial.

A assinatura do acordo pode sair nos próximos dias, segundo o The Wall Street Journal, e a primeira fase deve entrar em operação em 2028. Até lá, o mercado acompanha de perto o quanto a maior fabricante de chips do mundo está disposta a colocar na mesa para sustentar a própria demanda.

Fonte: Reuters | CNBC | TechCrunch